O Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP) informou que a adesão à greve dos guardas prisionais está a ter esta terça-feira uma adesão de 87 por cento, estando a paralisação a afetar sobretudo as visitas aos reclusos.

Os guardas prisionais realizam esta terça-feira e na quarta-feira uma greve total no âmbito da contestação que o SNCGP está realizar desde o início do mês de março para exigir a aplicação do estatuto profissional, que entrou em vigor há mais de um ano.

O presidente do SNCGP, Jorge Alves, disse à agência Lusa que a greve está a ter uma adesão de 87 por cento, estando apenas a ser cumpridos os serviços mínimos.

Como exemplo, referiu que dos 1.641 guardas prisionais escalados para os 49 estabelecimentos prisionais, 1.429 estão a garantir os serviços mínimos, apesar de terem aderido à greve.

O sindicalista adiantou que a adesão à greve é total em quase metade das cadeias, nomeadamente em Sintra, Santa Cruz do Bispo, Pinheiro da Cruz, Bragança, Viana do Castelo, Viseu, Guarda, Montijo, Torres Novas, Olhão e Silves.

Jorge Alves afirmou que as visitas aos reclusos não foram hoje feitas em quase todas as cadeias, afetando também a greve o transporte não urgente dos presos para os tribunais e consultas, além do tempo de recreio ter sido encurtado.

O sindicalista prevê para quarta-feira uma adesão idêntica.

No âmbito da contestação, o SNCGP já promoveu três vigílias e está a realizar desde 02 de março, em greve aos turnos da noite e aos fins de semana, paralisação que se prolonga até 01 de abril.

O Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional tem também previsto uma nova greve total entre 02 e 07 de abril e uma outra vigília junto ao Ministério das Finanças para 16 de abril.

Em causa está a regulamentação do horário de trabalho, progressões nas carreiras e aprovação dos novos níveis remuneratórios, pontos previstos no estatuto profissional do corpo da guarda prisional, que entrou em vigor há mais de ano, mas ainda não foi posto em prática.

Os guardas prisionais exigem também o pagamento do subsídio de turno a todos os profissionais que efetuam serviço no período noturno.

Dados oficiais indicam que existem cerca de 14.000 reclusos nas prisões portuguesas, mais cerca de dois mil que a capacidade.