Rúben Cavaco, o jovem agredido em Ponte de Sor, Portalegre, já acordou do coma, apurou a TVI. O advogado do rapaz de 15 anos disse aos jornalistas que o jovem saiu esta terça-feira de manhã dos cuidados intensivos do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde se encontra internado desde a agressão.

O advogado de Rúben Cavaco já pediu a consulta do processo e manifestou a intenção de colaborar com o Ministério Público, disse esta segunda-feira o próprio.

Santana-Maia Leonardo admitiu à Lusa desconhecer se os dois gémeos de 17 anos, filhos do embaixador do Iraque e suspeitos da agressão a Rúben Cavaco, invocaram ou não imunidade diplomática quando foram levados para serem ouvidos e identificados pela GNR.

O advogado afastou para já a possibilidade de apresentar qualquer acusação particular contra os autores, por considerar que se trata de um "crime público" e, como tal, compete ao Ministério Público avançar com o caso. Todavia, manifestou a intenção de colaborar com o Ministério Público, na descoberta da verdade dos factos.

"Já pedi a consulta do processo", sublinhou Santana-Maia Leonardo à agência Lusa, precisando que aquele "não está parado", mas observando que a "justiça é mais lenta do que a comunicação social".

Sem revelar outras diligências para não comprometer a estratégia jurídica, o advogado transmitiu a ideia de que a tese de legítima defesa alegadamente invocada pelos gémeos iraquianos não colhe, porque a legítima defesa é uma coisa imediata e espontânea e a agressão a Rúben Cavaco ocorreu horas depois dos desentendimentos entre os jovens.

"Legítima defesa é no próprio momento" e não depois, argumentou.

Santana-Maia Leonardo precisou que o processo da agressão a Rúben Cavaco está no tribunal de Ponte de Sor, mas admitiu que, dado a gravidade dos factos, o caso possa vir a transitar para o Tribunal de Portalegre, após as alterações introduzidas ao mapa judiciário.

Quanto aos pais de Rúben Cavaco, o advogado limitou-se a dizer que estão a "viver a situação com grande intensidade".

O caso remonta à passada quarta-feira, quando Rúben Cavaco foi espancado pelos filhos do embaixador do Iraque em Lisboa. 

Esta segunda-feira, em entrevista à SIC, os suspeitos de terem agredido o jovem afirmaram que este tipo de incidentes "acontece todos os dias em Portugal”.

Não diria que sou uma vítima do Rúben ou que o Rúben é uma vítima minha, mas diria que somos vítimas das circunstâncias, que facilmente acontecem em Portugal”, disse um dos filhos do embaixador.

Para o jovem, o caso tem recebido muita atenção e a imprensa está a aproveitar-se do caso, acabando por “incitar as pessoas” contra ele e o irmão e revelaram que colaboram com a polícia sem terem invocado imunidade diplomática e que permanecerão em Portugal até à resolução da questão.

Num comunicado conhecido esta segunda-feira, a embaixada do Iraque em Lisboa alega que os filhos do embaixador agiram em legítima defesa, depois de terem sido "severamente espancados" e insultados por seis pessoas em Ponte de Sor.

Os filhos do embaixador do Iraque em Portugal foram severamente espancados por seis pessoas, que os agrediram e insultaram por serem árabes e muçulmanos", lê-se num comunicado, em árabe, publicado no site da embaixada iraquiana, dentro do 'site' oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Iraque.

Esta terça-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Iraque (MOFA) chamou o seu embaixador em Portugal, Saad Mohammed Ridha, para consultá-lo sobre "os recentes incidentes atribuídos aos seus dois filhos".