Já percorremos mais de 165 quilómetros pela costa do Algarve.

O Infante D. Henrique apontou-nos o caminho e cá estamos nós em Sagres.

Sagres vem de terra sagrada.

Terá sido aqui que nasceu a primeira escola de navegação portuguesa, mas os historiadores não são unânimes quanto a isso. Certo é que o Infante de Sagres passou por aqui e os descobrimentos também.

No Promontório, a Fortaleza guarda a imponência da natureza e as referências à epopeia portuguesa.

Grande epopeia enfrenta todos os dias quem vai e volta do mar e chega ao Porto da Baleeira. Apesar de aqui volta e meia se avistarem baleias, o nome deve-se às pequenas embarcações que levavam pessoas e mantimentos para as caravelas e naus aqui atracadas.

Hoje partem a toda a hora embarcações, estas sim para avistar colónias de golfinhos que escolheram este mar azul como morada, que partilham com os muitos que aproveitar a força do vento e do mar para os desportos náuticos.

Em Sagres sente-se a rudez dos elementos. O vento está quase a dizer aos que vêm de fora que não são bem-vindos, mas ganha as mesmas.

Pedra. Água. Vento. Uma combinação entre o forte e o feio que resulta em incrivelmente belo.

O vento empurra-nos ao Cabo de S. Vicente, onde encontramos a Maria dos Anjos. É alentejana, de Serpa. Já tem mais anos a viver em Sagres do que na terra natal. Se de início estranhou o vento, agora já lhe está entranhado no cabelo e nos traços desenhados na cara.

O vento conta-nos ainda uma outra história. Reza a lenda que terá sido em Sagres que S. Vicente foi sepultado. O religioso terá sido morto de forma brutal pelos árabes, aquando da ocupação muçulmana da península ibérica. D Afonso Henriques ouviu falar dessa história e desta terra sagrada. Quis vir buscar os restos mortais do mártir e ao chegar um bando de corvos guardava a sepultura. Diz a história que a embarcação que levou S Vicente até Lisboa foi sempre acompanhada pelo bando de corvos. Será por isso que S. Vicente é o santo padroeiro da capital e os corvos fazem parte dos símbolos da cidade.​