Os valores da criminalidade no Bairro Alto, em Lisboa, subiram no ano passado face a 2013, devido ao sistema de videovigilância ali instalado, que permitiu detetar mais crimes, informou a Polícia de Segurança Pública (PSP).

“A criminalidade que registamos no dia-a-dia manteve-se, mas foram detetados mais crimes devido à ação das câmaras de videovigilância”, disse à agência Lusa o subcomissário Hugo Abreu, porta-voz do Comando Metropolitano de Lisboa (Cometlis) da PSP.


Esta sexta-feira assinala-se um ano desde que a videovigilância entrou em funcionamento no Bairro Alto, após o contrato para a sua instalação ter sido assinado pelo município em outubro de 2012.

Ao todo, as 27 câmaras permitem a visualização de imagens em tempo real, entre as 18:00 e as 07:00, podendo servir como “meio de identificação e prova”, explicou o Cometlis numa nota enviada à agência Lusa.

Só este comando é que tem acesso às imagens captadas, pelo que, caso detete algum incidente ou emergência, ativa os meios necessários para o local.

De acordo com a PSP, o número de crimes - cujos tipos não são especificados - registados entre maio e setembro do ano passado baixou de 66 para 50, aumentando em outubro (para 77) e descendo em novembro (62). Em dezembro, verificaram-se 66 crimes.

Contudo, em comparação com o ano anterior, estes números revelam um acréscimo. Por exemplo, em dezembro de 2013 o total de crimes foi de 36, número que quase duplicou no ano seguinte.

Excetua-se o mês de setembro do ano passado, em que se verificaram 50 crimes, menos sete do que no ano anterior.

Nos dados enviados à Lusa, a polícia especifica valores da criminalidade violenta e grave, que também aumentaram de forma geral no ano passado, situando-se, em média, no entanto, abaixo de uma dezena.

De acordo com a presidente da Junta de Freguesia da Misericórdia, Carla Madeira, as câmaras de videovigilância dão “mais segurança a quem circula do que a quem reside” no Bairro, já que por norma, durante os horários de funcionamento do sistema, os moradores já estão nas suas casas.

Apesar de reconhecer o efeito dissuasor e a utilidade da videovigilância, nomeadamente em casos de violência, a responsável admitiu que a “população não se sente 100% segura”, situação confirmada pelo presidente da Associação de Moradores do Bairro Alto, Luís Paisana.

Este responsável admitiu à Lusa “alguma frustração” face à falta de “resultados práticos” do sistema.

Carla Madeira frisou que um dos principais problemas da zona continua a ser o tráfico de droga, área em que a PSP acaba por não poder intervir por, em muitas situações, não se tratar de “droga verdadeira” mas sim de “louro e farinha”.

O presidente da Associação de Comerciantes do Bairro Alto, Hilário Castro, conhece bem esta realidade que, a seu ver, se “tem vindo a agravar”.

“Não há turista nenhum que passe pelo Bairro sem ser abordado para comprar cocaína e haxixe”, lamentou, dando conta de “queixas frequentes das receções dos hotéis” que recomendam esta como uma zona a visitar.


Carla Madeira e Hilário Castro defendem, por isso, mais agentes na rua e alterações na legislação, para evitar passar uma “imagem degradante” do Bairro Alto.

Sobre esta questão, o Cometlis disse ser “precoce concluir que a videovigilância tem impacto nas investigações de tráfico”.

A agência Lusa pediu à Câmara de Lisboa um balanço sobre o primeiro ano de funcionamento das câmaras de videovigilância no Bairro Alto, mas não obteve resposta até ao momento.