A primeira passagem (PEC2), durante a secção matinal, já tinha sido perturbada por um foco de incêndio que e levou mesmo à neutralização da especial após a passagem de 32 carros, incluindo os WRC, que puderam concluir este troço da quinta prova do Campeonato do Mundo.

Apesar de o incêndio que deflagrou na quinta-feira à tarde manter uma frente ativa, a primeira classificativa do dia foi para a estrada, tendo começado com um ligeiro atraso para que as viaturas dos bombeiros se retirassem.

No entanto, o calor e o vento provocaram hoje reativações fortes do incêndio em floresta que deflagrou na quinta-feira à tarde na freguesia de Cabração, em Ponte Lima, impedindo a segunda passagem dos pilotos no local.

"Era uma situação esperada. O calor e o vento que se fazem sentir provocaram algumas reativações fortes mas temos os meios posicionados", disse à Lusa o segundo comandante do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS), Robalo Simões.

No combate às chamas estão envolvidos um helicóptero bombardeiro e 255 operacionais, apoiados por 52 veículos.

Com a anulação da PEC5, a terceira secção do rali será composta apenas por duas especiais, em Caminha e Viana do Castelo, mantendo-se o arranque da PEC6 no horário inicialmente previsto, 15:35.

Após as primeiras quatro classificativas, o finlandês Jari-Matti Latvala (Volkswagen) é líder do Rali de Portugal, com 6,1 segundos de vantagem sobre o britânico Kris Meeke (Citroën) e 9,2 sobre norueguês Andreas Mikkelsen (Volkswagen), vencedor da superespecial da véspera.

 

Autarca de Ponte de Lima lamenta “coincidência infeliz”

O presidente da Câmara de Ponte de Lima classificou como "uma coincidência infeliz" o facto de incêndio que lavra na freguesia de Cabração ter deflagrado na véspera da passagem do rali de Portugal pelo concelho.

"Há aqui uma coincidência infeliz de aqui passar o Rali passados 14 anos, mas não quero obviamente proceder a qualquer especulação porque também não tenho absolutamente dados que permitam deixar qualquer nota sobre a matéria", afirmou Victor Mendes.

O autarca deixou uma "palavra de reconhecimento" a todos os meios envolvidos no combate às chamas "pelo enorme esforço" que desenvolveram desde as 14:33 de quinta-feira, "e que permitiu que a classificativa de hoje no concelho se pudesse realizar".

O presidente da Câmara lamentou "os danos consideráveis" provocados pelas chamas "de dimensões apreciáveis".

"Não é uma zona sensível do ponto de vista ambiental mas sim do ponto de vista paisagístico", sustentou.

Victor Mendes defendeu a necessidade "do país apostar na prevenção" dos incêndios, intervindo "ao nível do ordenamento, da gestão e da elaboração de um cadastro florestal".

"É uma questão que o país terá que resolver rapidamente, para que possamos conhecer quem são proprietários florestais", afirmou, adiantando que "são gastos, todos os anos, recursos financeiros enormes dos contribuintes portugueses, e infelizmente, muitas vezes sem o devido retorno".

Segundo o comandante da Proteção Civil distrital as condições climatéricas provocaram cerca das 12:00 "algumas reativações fortes em todo o perímetro" do incêndio que se mantem com uma frente ativa.

"Era uma situação esperada. O calor e o vento que se fazem sentir provocaram algumas reativações fortes mas temos os meios posicionados", afirmou o segundo comandante do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS), Robalo Simões.

Três concelhos em risco máximo de incêndio

Segundo o IPMA, em risco máximo de incêndio estão os concelhos de Sardoal e Mação (Santarém) e Vila de Rei (Castelo Branco).

O IPMA colocou também em risco muito elevado de incêndio os concelhos de Monchique (Faro), Coruche, Chamusca, Constância, Vila Nova da Barquinha e Abrantes (Santarém), Ponte de Sor, Gavião, Nisa (Portalegre), Vila Velha de Ródão, Proença-a-Nova, Castelo branco, Sertã, Oleiros, Covilhã (Castelo Branco) e Figueiró dos Vinhos, Pedrógão Grande e Castanheira de Pera (Leiria).

Estão ainda em risco muito elevado de incêndio os concelhos de Miranda do Corvo, Góis, Pampilhosa da Serra, Góis, Tábua e Arganil (Coimbra), Sabugal (Guarda), Tondela, Fornos de Algodres, Vila Nova de Paiva, Armamar, Moimenta da Beira, Sernancelhe e Aguiar da Beira (Viseu).

O risco de incêndio determinado pelo IPMA engloba cinco níveis, variando entre reduzido e máximo.

O cálculo é feito com base nos valores observados às 13:00 de cada dia relativamente à temperatura do ar, humidade relativa, velocidade do vento e quantidade de precipitação nas últimas 24 horas.

O IPMA prevê para hoje no continente céu pouco nublado ou limpo, apresentando períodos de maior nebulosidade no Algarve durante a tarde e vento fraco a moderado predominando de nordeste, soprando, durante a tarde, moderado de sudoeste na costa sul do Algarve.

Nas terras altas, o vento soprará moderado a forte de nordeste até ao meio da manhã e para o final do dia.

Está também prevista uma pequena subida da temperatura mínima.

Em Lisboa as temperaturas vão variar entre 16 e 27 graus Celsius, no Porto entre 13 e 23, em Bragança entre 2 e 22, em Viseu entre 8 e 21, na Guarda entre 5 e 19, em Castelo Branco entre 12 e 25, em Portalegre entre 14 e 25, em Coimbra entre 13 e 25, em Leiria entre 8 e 25, em Santarém entre 13 e 28, em Évora entre 12 e 28, em Beja entre 14 e 30 e em Faro entre 16 e 25.