Os profissionais de reinserção social que trabalham na vigilância eletrónica e nos centros educativos iniciam, esta quinta-feira, uma greve às horas extraordinárias. Exigem a a contratação de trabalhadores, sendo que a paralisação dura oito meses, ou seja, vai prolongar-se até ao fim do ano.

Convocada pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais, a greve, que se prolonga até 31 de dezembro, visa exigir a abertura de concursos para contratação de novos trabalhadores para responder ao problema da falta de pessoal nestes serviços, lê-se em comunicado.

A falta crónica de pessoal nestes setores, para além de promover problemas de segurança para os trabalhadores e deficiente operacionalidade dos serviços, provoca uma desregulação dos horários de trabalho, obrigando a cargas horas diárias de dez e mais horas, a alterações constantes no gozo dos dias de descanso e a modificações súbitas nas escalas de serviço”

Em declarações à agência Lusa, o dirigente sindical Artur Sequeira afirmou que há centros educativos, “onde estão jovens problemáticos”, que “não têm pessoal suficiente” para garantir o seu normal funcionamento, uma situação que também se passa com os funcionários que colocam as pulseiras eletrónicas nos arguidos e dão apoio às vítimas.

“A situação não é igual em todo o país, mas em nenhum centro educativo ou unidade de vigilância eletrónica se pode dizer com clareza que tem o número suficiente de trabalhadores para garantir - sem ter que recorrer a mexidas nos direitos dos trabalhadores - o funcionamento correto destes dois serviços”, salientou Artur Sequeira.

Os trabalhadores, dependentes da Direção-Geral de Reinserção s Serviços Prisionais, reclamam também a valorização da sua carreira profissional e melhores condições de trabalho, como a atribuição de equipamento individual e coletivo adequado às suas funções.

No comunicado, a federação sindical refere que desde o ano passado está a procurar negociar com a Secretária de Estado Adjunta e da Justiça soluções para os problemas existentes.

“Contudo, esta negociação tem sido sucessivamente adiada, com a ausência da apresentação de quaisquer contrapropostas por parte do Governo”, sublinha.