O corpo da criança que estava desaparecida no Tejo foi encontrado na manhã deste domingo, apurou a TVI junto de fonte da Capitania do Porto de Lisboa. Foi encontrado por um popular que o avistou na zona de rebentação, no mesmo dia em que se realizam as cerimónias fúnebres da irmã. Em comunicado a advogada da mãe das crianças pediu "respeito pela dor das famílias", sublinhando que "não é adequado, nem oportuno" que Sónia Lima fale, neste momento, sobre a tragédia.

"Um popular avistou um corpo na zona de rebentação, junto ao areal, e de imediato a Polícia Marítima, que se encontrava no local quer por terra quer por água, dirigou-se ao local e o corpo foi retirado para o areal", informou o Comandante Malaquias Domingues em declarações aos jornalistas na praia de Caxias.

O Comandante afirmou à TVI24 que o corpo foi encontrado às 9:45 na praia de Caxias, não muito longe do local onde tinha sido encontrada a irmã mais nova.

"Neste momento não está feita a identificação, no entanto não tenho notícias de outros desaparecimentos e tudo aponta para que seja a criança."

 

Malaquias Domingues acrescentou que o Ministério Público e a Polícia Judiciária foram contactados e que se seguiam "os trâmites normais para a identificação" do corpo. O corpo já foi entretanto retirado da praia e levado para o Instituto de Medicina Legal.

O responsável elencou ainda as razões que podem explicar o facto de o corpo só ter aparecido agora. 

"Tudo indica que a criança possa ter falecido por afogamento. Há a teoria de que nessas circunstâncias nos primeiros quatro, cinco dias há um afundamento a meias águas do corpo, que depois ganha flutuabilidade positiva e aí a natureza devolve o corpo à zona onde ele possa ter desaparecido. Também pode ter sido apanhado por uma corrente, o grau de incerteza à medida que o tempo passa é elevadíssimo."

A TVI falou com o popular que encontrou o corpo na zona de rebentação. Alexandre Ramos Lopes disse que estava a caminhar na praia quando viu algo que lhe parecia ser um boneco.

"Entrei dentro da praia e pareceu-me um boneco. Depois vi que era a criança. (...) Puxei-a para fora da água e entretanto apareceu a Polícia Marítima a correr."

A menina de quatro anos estava desaparecida desde segunda-feira. Nessa noite, a mãe caiu ao Tejo, na zona da praia de Caxias, em Oeiras, com a criança e a irmã, uma bebé de 19 meses, que acabou por morrer.

O alerta foi dado por uma testemunha que viu uma mulher sair da água, em pânico e em avançado estado de hipotermia, a afirmar que as suas duas filhas estavam dentro de água.

A criança de 19 meses foi resgatada e alvo de tentativa de reanimação, mas sem sucesso.

A mãe foi internada no Hospital de Santa Maria e posteriormente detida pela Polícia Judiciária após ter alta hospitalar.

Depois de presente a primeiro interrogatório judicial, na quarta-feira, no Tribunal de Cascais, o juiz de instrução criminal aplicou à arguida a medida de coação de prisão preventiva, indiciada por duplo homicídio qualificado.

Na sexta-feira, o Ministério Público qualificou de "especial censurabilidade ou perversidade” a atuação da mãe, numa nota divulgada pela Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL).

"Os elementos probatórios reunidos indiciam a prática de dois crimes de homicídio qualificado cometidos em circunstâncias reveladoras de especial censurabilidade ou perversidade, como sejam a qualidade de progenitora das menores, e a muito especial fragilidade e vulnerabilidade das vítimas motivada pela sua tenra idade (3 anos e 20 meses), e inerente impossibilidade de se defenderem.”

 

As cerimónias fúnebres da bebé

O corpo foi encontrado no mesmo dia em que se realizam as cerimónias fúnebres da irmã, em Rio de Mouro. 

Em Rio de Moruo, o ambiente é de muito pesar. O corpo da bebé de 19 meses chegou à igreja pelas 9:50 e, pouco tempo depois, por volta das 10:00, o pai das meninas chegou ao local, visivelmente transtornado.

Familiares com coroas de flores e muitos populares juntaram-se na Igreja, onde há um contigente policial.

Às 14:30 realizou-se uma missa de corpo presente. O corpo seguiu por volta das 15:00 para o cemitério de Rio de Mouro, onde foi enterrado.

 

Advogada da mãe pede "respeito pela dor das famílias"

A advogada da mãe das crianças pediu, em comunicado, "respeito pela dor das famílias", sublinhando que "não é adequado, nem oportuno" que Sónia Lima fale, neste momento, sobre a tragédia.

"Por não ser processualmente adequado, nem oportuno (..) a ora mandátaria não se pronunciará sem prejuízo de o poder vir a fazer, (..) estando a decorrer as cerimonias fúnebres e face à informação do aparecimento do corpo da menor Samira, deverão ser respeitadas, por um lado, as diligências forenses em curso, e bem assim, respeitada a dor e o sofrimento de ambas as famílias, que se encontram em momento de luto."