O escritor João Pinto Coelho venceu o Prémio LeYa 2017 com o romance "Os loucos da rua Mazur", foi esta sexta-feira anunciado.

Este é o maior prémio para uma obra inédita escrita em língua portuguesa, no valor monetário de 100 mil euros, e inclui a edição da obra pelo grupo editorial Leya.

No anúncio do vencedor, esta sexta-feira na sede do grupo editorial LeYa, o presidente do júri, Manuel Alegre, afirmou que "Os loucos da rua Mazur" é um romance "bem estruturado, bem escrito, que capta a atenção quer pelo tema, quer pela construção em tempos paralelos".

O júri elogiou "as qualidades de efabulação e verosimilhança em episódios de violência brutal com motivações ideológico-políticas e étnico-religiosas" deste romance inédito de João Pinto Coelho.

A surpresa do vencedor

João Pinto Coelho manifestou-se surpreendido pela atribuição do prémio, sobretudo porque “ainda não tinha recuperado” da boa aceitação que o seu primeiro romance teve, afirmando que a “sensação é muito boa”.

Eu acho que ainda não estou a recuperar bem da surpresa daquilo que aconteceu com ‘Perguntem a Sarah Gross’, para levar logo com esta surpresa a seguir”, afirmou o autor à Lusa, a propósito da atribuição do prémio ao seu segundo romance, “Os loucos da rua Mazur”.

“Perguntem a Sarah Gross”, o primeiro romance de João Pinto Coelho, de 55 anos, arquiteto e investigador do Holocausto, foi finalista do Prémio Leya em 2014.

Eu comecei a escrever com 43 anos, portanto comecei a escrever muito tarde, nem sequer tenho aquele percurso habitual dos escritores, de escrever contos ou poemas na adolescência. A primeira vez que escrevi alguma coisa de ficção foi precisamente quando comecei a escrever a primeira página do ‘Perguntem a Sarah Gross’”, confessou, sublinhando, por isso, que todo “este reconhecimento” é “uma surpresa”.

A única esperança que tinha de ganhar este prémio resultava apenas do facto de ter gostado daquilo que escrevera e, portanto, admitia que o júri pudesse também gostar, afirmou.

O autor tem já publicado o romance "Perguntem a Sarah Gross", de 2015, que foi finalista do prémio Leya em 2014.

De acordo com o currículo do autor, João Pinto Coelho nasceu em Londres, em 1967, e é licenciado em Arquitetura pela Universidade Técnica de Lisboa.

Em 2009 e 2011 participou em ações do Conselho da Europa, em Auschwitz, na Polónia, tendo juntado alunos portugueses e polacos no projeto “Auschwitz in 1st Person/A Letter to Meir Berkovich”.

Presidido por Manuel Alegre, o júri deste ano foi ainda constituído pelos escritores Nuno Júdice e Pepetela, pelo crítico José Castello, pelo professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra José Carlos Seabra Pereira, pelo reitor do Instituto Superior Politécnico e Universitário de Maputo Lourenço do Rosário, e pela professora da Universidade de São Paulo Rita Chaves.

No ano passado, o júri deliberou por unanimidade não atribuir o prémio, dada a falta de qualidade das obras apresentadas, repetindo o que sucedera em 2010, a primeira vez em que não foi atribuído o galardão.

Em 2015, o vencedor foi "O Coro dos Defuntos", de António Tavares, sucedendo a Afonso Reis Cabral, vencedor da edição de 2014, com "O Meu Irmão".

O primeiro vencedor do Prémio Leya, em 2008, foi Murilo Carvalho, com o romance "O Rasto do Jaguar", ao qual se seguiu "O Olho de Hertzog", de João Paulo Borges Coelho.

Em 2011, o júri distinguiu o romance "O Teu Rosto Será o Último", de João Ricardo Pedro, em 2012 "Debaixo de Algum Céu", de Nuno Camarneiro e em 2013 "Uma Outra Voz", de Gabriela Ruivo Trindade, a primeira mulher a ser distinguida com este galardão.

De acordo com o regulamento, o Prémio LeYa visa “incentivar a produção de obras originais de escritores de Língua Portuguesa, e destina-se a galardoar uma obra inédita de ficção literária, na área do romance, que não tenha sido premiada em nenhum outro concurso".

O regulamento determina ainda que podem candidatar-se ao prémio “todas as pessoas singulares com plena capacidade jurídica, independentemente da sua nacionalidade".