O helicóptero de combate a incêndios que caiu quando estava a operar na localidade de Cabril, concelho de Castro Daire, distrito de Viseu, fez um morto. A empresa do helicóptero ligeiro, a Everjets, confirmou a morte do piloto em comunicado e anunciou que vai instaurar um inquérito às circunstâncias do acidente.

"O piloto era o único ocupante do aparelho e infelizmente não sobreviveu. Tinha 51 anos, nacionalidade portuguesa e experiência como piloto de combate a incêndios", escreve a empresa em comunicado.

O conselho de administração da Everjets "já decidiu instaurar um inquérito às circunstâncias do acidente e garante a substituição do aparelho ora acidentado no dispositivo em alerta", lê-se ainda no comunicado enviado às redações.

A empresa aponta que “é crível, pelo que se sabe, que o helicóptero tenha colidido em cabos de alta tensão, despenhando-se e incendiando-se de imediato”, mas sublinha que “só após uma investigação será possível determinar com exatidão as causas e circunstâncias do acidente”.

Apontando que “o acidente já foi reportado às autoridades competentes”, a Everjets adianta que a Autoridade Nacional de Proteção Civil está a “acompanhar os seus pilotos e quadros, tendo já disponibilizado apoio psicológico à família do malogrado piloto”.

Duas descargas antes de cair

A Proteção Civil informou entretanto que o helicóptero que se despenhou em Cabril, Castro Daire, foi chamado para o dispositivo de combate a incêndios às 11:45, tendo feito duas descargas de água antes do acidente que ocorreu às 12:25, informou a Proteção Civil.

O comandante nacional da Proteção Civil, Rui Esteves, confirmou numa declaração aos jornalistas, sem direito a perguntas, que o helicóptero da Everjets embateu em linhas de alta tensão, incendiou-se ao bater no solo, provocando a morte do piloto que, desde 2013, participava neste tipo de missões.

Tratava-se de um piloto experiente que integrava o dispositivo desde 2013”, disse.

O helicóptero, que fazia parte do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DCIF), foi acionado para Cabril às 11:45, tendo chegado ao local de operações às 12:11.

Rui Esteves adiantou que a Autoridade Nacional de Proteção Civil enviou “de imediato” para o local um helicóptero do INEM, uma ambulância de suporte imediato de vida, um veículo de assistência de desencarceramento e uma ambulância de socorro.

Também foram acionadas equipas diferenciadas de apoio psicossocial do INEM e da ANPC.

O aparelho estava sediado no Centro de Meios Aéreos de Armamar, Viseu.

Presidente da República lamenta morte de piloto

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lamentou a morte do piloto de helicóptero, designando-o "uma nova vítima destes terríveis incêndios" que têm martirizado o país.

"O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa lamenta profundamente o falecimento de piloto do helicóptero caído em Cabril, uma nova vítima destes terríveis incêndios que têm martirizado o nosso país", lê-se na nota publicada no sítio da internet da Presidência da República.

O Chefe de Estado apresenta "as mais sentidas condolências à família enlutada", declara o Palácio de Belém.