Dois incêndios considerados como  estavam a ser combatidos cerca das 17:00 de sábado, por mais de mil homens, a maioria concentrada nos concelho de Mação (Santarém) e de Gavião (Portalegre), segundo a Proteção Civil.

De acordo com a informação do site da Autoridade Nacional de Proteção Civil, estava ativo e com duas frentes o incêndio de Gavião, que teve inicio cerca das 17:00 de quinta-feira, estando a ser combatido por 547 operacionais apoiados por 160 meios terrestres e 13 meios aéreos.

O vento forte e as temperaturas altas são os principais obstáculos que os bombeiros estão a encontrar para combater o incêndio.

Existem alguns reacendimentos que nos causam alguma preocupação. Nós temos neste momento duas frentes ativas, uma na freguesia de Gavião e outra na freguesia Belver e o vento está a ser um inimigo, bem como as temperaturas altas”, disse o vice-presidente do município, António Severino.

De acordo com o autarca, nesta altura “não há populações em risco”, sublinhando ainda que existe a “previsão” de dominar as duas frentes ativas deste incêndio nas próximas horas.

Com os meios que estão no terreno e com o excelente trabalho dos meios aéreos esperamos, é a previsão, dominar estas duas frentes ativas. O perímetro do incêndio é muito extenso o que dificulta e divide muitos os meios envolvidos”, acrescentou.

Em Mação, incêndio que começou na quarta-feira, mantém-se ativo com uma frente, sendo o combate das chamas feito por dois meios aéreos, 806 homens, 232 veículos e três meios aéreos.

Habitantes retirados regressam a casa

Os habitantes de três aldeias no concelho de Gavião (Portalegre), que foram retirados de suas casas devido à ameaça do incêndio, regressaram nas últimas horas às suas habitações, disse à agência Lusa fonte do município.

Todas as pessoas que mostraram vontade de regressar a casa, ainda durante esta noite, regressaram. Algumas preferiram dormir em casa de familiares e agora já voltaram a casa”, disse o presidente do município, José Pio.

O autarca sublinhou que esta manhã “não há populações em risco”, embora o perigo continue a existir, por causa de uma frente de fogo que poderá dirigir-se para a zona da aldeia de Cadafaz.

Neste momento [durante a manhã], como o risco imediato não há populações em risco. O perigo continua a existir (por causa dos ventos fortes), uma vez que há uma frente de fogo muito perto da aldeia de Cadafaz, mas não é um perigo iminente”, disse.

Durante a tarde de quinta-feira tinham sido retiradas pessoas das aldeias de Cadafaz, Torre Cimeira e Torre Fundeira e encaminhadas para vários espaços, entre os quais as instalações do lar de idosos de Belver e para a Santa Casa da Misericórdia de Gavião.

O lar de idosos de Belver esteve [sexta-feira] na iminência de ser evacuado, mas conseguimos dominar a frente de fogo que se dirigia para a zona do lar e não houve necessidade de evacuação. Quanto à Praia Fluvial do Alamal já pode ser frequentada”, acrescentou.

José Pio relatou que a situação “ainda está complicada” no terreno, uma vez que o incêndio apresenta “várias frentes ativas”, tendo, por isso, acionado o Plano de Emergência Municipal na sexta-feira.

Durante a noite, como é costume, houve alguma retração do incêndio, as coisas melhoraram ligeiramente, mas ainda temos algumas frentes que nos dão muita preocupação”, relatou.

O autarca estima que este incêndio, que resultou das chamas provenientes de um outro fogo oriundo de Mação, no distrito de Santarém, com o incêndio que decorreu em julho em Gavião já consumiu cerca de “12 a 13 mil hectares” de floresta no concelho.

Não posso fazer ainda uma estimativa exata, porque não há qualquer informação que se possa dizer que é correta. Mas eu direi que andaremos muito perto dos 12 a 13 mil hectares consumidos pelas chamas, o que equivale a cerca de 50 por cento da área do concelho”, disse.

José Pio acrescentou ainda que relativamente à freguesia de Belver arderam “cerca de 90 por cento” do seu território, tendo “ficado apenas” as povoações.

Forças Armadas reforçam combate

As Forças Armadas vão reforçar até segunda-feira com mais mil operacionais e dois meios aéreos as ações de patrulhamento e dissuasão dos principais incêndios que lavram no país, segundo o Estado-Maior General das Forças Armadas (EMGFA).

”Em virtude da previsão de agravamento das condições meteorológicas, o número de militares a empenhar em reforço às ações de patrulhamento e dissuasão será reforçado em mais cerca de 1000 operacionais e dois meios aéreos entre 18 e 21 de agosto”, adianta o EMGFA em comunicado.

Esta decisão surgiu após uma reunião dos agentes de Proteção Civil (ANPC, ICNF GNR, PSP, Marinha, Exército e Força Aérea) sobre o empenhamento excecional de recursos militares, humanos e materiais, no âmbito das medidas preventivas anunciadas pelo Governo para fazer face ao estado de calamidade preventiva.

O comunicado adianta que as Forças Armadas estão a colaborar na vigilância, patrulhamento e no rescaldo dos principais incêndios que estão a fustigar o país, com um total de 590 militares.

O Exército está envolvido em 39 Missões de Patrulhamento dissuasor, com 436 militares, nos distritos de Aveiro, Braga, Leiria, Porto, Santarém, Viana do Castelo, Vila Real, Viseu, Setúbal, Lisboa e Coimbra.

No terreno estão 13 Pelotões (dois da Marinha e 11 do Exército), quatro Destacamentos de Engenharia, uma equipa com cinco psicólogos e um helicóptero em alerta.

As Forças Armadas destacaram também 19 Equipas de Vigilância (duas da Marinha e 17 do Exército, num total de 75 militares) no âmbito do protocolo estabelecido entre as Forças Armadas e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) para a vigilância às matas e florestas nacionais – plano FAUNOS.

A declaração de Calamidade Pública abrange todos os concelhos dos distritos de Bragança, Castelo Branco, Guarda, Vila Real e Viseu.

O estado de calamidade inclui ainda os concelhos de Águeda, Arouca, Castelo de Paiva, Sever do Vouga e Vale de Cambra (distrito de Aveiro), Almodôvar, Mértola e Odemira (distrito de Beja) e Amares, Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto, Fafe, Póvoa de Lanhoso, Terras de Bouro, Vieira do Minho, Vila Verde e Vizela (distrito de Braga).

No distrito de Coimbra são abrangidos os concelhos de Arganil, Condeixa-a-Nova, Góis, Lousã, Miranda do Corvo, Oliveira do Hospital, Pampilhosa da Serra, Penacova, Penela, Tábua e Vila Nova de Poiares, enquanto no distrito de Faro abrangidos Alcoutim, Aljezur, Castro Marim, Lagos, Loulé, Monchique, Portimão, S. Brás de Alportel, Silves, Tavira e Vila do Bispo.

Alvaiázere, Ansião, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Porto Mós e Pedrógão Grande são os municípios do distrito de Leiria para os quais esta declaração está em vigor, enquanto no distrito de Portalegre é Castelo de Vide, Gavião, Marvão, Nisa e Ponte de Sor.

Já no distrito do Porto estão abrangidos os concelhos de Amarante, Baião, Felgueiras, Gondomar, Lousada, Marco de Canaveses, Paredes, Penafiel, Santo Tirso, Trofa e Valongo, no distrito de Santarém os municípios de Abrantes, Alcanena, Chamusca, Constância, Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Rio Maior, Sardoal, Tomar e Vila Nova da Barquinha e no distrito de Viana do Castelo os concelhos de Arcos de Valdevez, Caminha, Melgaço, Monção, Paredes de Coura, Ponte da Barca, Ponte de Lima e Valença.