A Polícia Judiciária Militar recuperou "praticamente todo o material" roubado em Tancos, apurou a TVI junto de fonte da instituição.

O material de guerra foi recuperado "esta madrugada, na região da Chamusca, com a colaboração do núcleo de investigação criminal da Guarda Nacional Republicana de Loulé", esclareceu a Polícia Judiciária Militar em comunicado enviado à TVI.

Uma denúncia anónima permitiu às autoridades encontrar o material de guerra escondido numa zona de mato, apurou, ainda, a TVI. Não foram identificados suspeitos, logo não foram constituídos arguidos no âmbito da investigação.

O material recuperado não voltou para Tancos, tendo sido reencaminhado para os Paióis vizinhos de Santa Margarida, também em Santarém, à guarda do Exército, "onde está ser realizada a peritagem para identificação mais detalhada", indicou a PJ Militar.

A investigação criminal a este furto, "em segredo de justiça", continua a decorrer, informou, igualmente, a autoridade.

Fonte da investigação disse à Lusa que o trabalho de peritagem ainda não está concluído, mas já é possível confirmar que faltam as munições de 9 milímetros.

O Ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes, bem como o DCIAP (Departamento Central de Investigação e Ação Penal) foram informados das diligências em curso.

PGR confirma recuperação de material roubado

A Procuradoria-Geral da República (PGR) já confirmou a recuperação do material de guerra furtado nos paióis de Tancos e lembrou que a questão está a ser alvo de um inquérito do Ministério Público e da Polícia Judiciária (PJ).

Confirma-se a recuperação de material de guerra que havia desaparecido de Tancos”, refere a PGR.

Segundo adianta, o caso é “objeto de investigação no âmbito de um inquérito dirigido pelo Ministério Público, do Departamento Central de Investigação e Ação Penal”.

O processo, acrescenta, está a ser dirigido pelo Ministério Público coadjuvado pela Unidade Nacional Contra Terrorismo da Polícia Judiciária e com colaboração da Polícia Judiciária Militar.

Este inquérito não tem arguidos constituídos e encontra-se em segredo de justiça”, conclui.

Em comunicado, a PJM anunciou que recuperou esta madrugada na região da Chamusca, a 21 quilómetros da base militar de Tancos, o material de guerra furtado, em colaboração com o núcleo de investigação criminal da GNR de Loulé.

O material recuperado já se encontra nos Paióis de Santa Margarida, à guarda do exército, onde está a ser realizada a peritagem para a identificação mais detalhada.

Entre o material roubado, divulgou o Exército em junho, encontravam-se granadas de mão ofensivas, munições de calibre de nove milímetros, granadas foguete anticarro, granadas de gás lacrimogéneo e explosivos.

O furto de material de guerra nos Paióis Nacionais de Tancos, Vila Nova da Barquinha, Santarém, foi divulgado pelo Exército no passado dia 29 de junho.

Granadas de mão, granadas foguete anticarro, de gás lacrimogéneo e explosivos estavam entre o material de guerra furtado. Este material estava avaliado em 34 mil euros.

A 11 de julho o chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, Pina Monteiro, tinha revelado que os lança-foguete furtados "provavelmente" não teriam condições de serem usados com eficácia já que estavam indicados para abate.

A Procuradoria-Geral da República abriu um inquérito ao caso, por suspeitas da prática dos crimes de associação criminosa, tráfico de armas internacional e terrorismo internacional, com a Judiciária a seguir a pista de mercenários portugueses

Azeredo Lopes disse desconhecer problemas de insegurança na base militar de Tancos, mas determinou uma inspeção extraordinária às condições de segurança dos paióis.

Entretanto, o chefe de Estado-Maior do Exército decidiu exonerar cinco generais, com dois outros generais a demitirem-se em rota de colisão com Rovisco Duarte.

Ministério assinala "relevância da operação"

O Ministério da Defesa Nacional assinalou a "relevância da operação" da Polícia Judiciária Militar, frisando que é necessário aguardar pela conclusão da investigação.

Contactado pela Lusa, fonte oficial do ministério assinalou a "relevância da operação" da PJM, sublinhando, no entanto, a necessidade de "aguardar pela conclusão da investigação".

Tal como sempre foi afirmado pelo ministro da Defesa Nacional, será necessário aguardar pela conclusão da investigação criminal em curso para se conhecerem todos os contornos relativos ao furto de material de guerra dos Paióis Nacionais de Tancos", referiu o gabinete do ministro Azeredo Lopes.

Questionada sobre o requerimento do PS para uma audição do ministro com caráter de urgência no Parlamento, a mesma fonte disse que Azeredo Lopes "está sempre disponível" para ir à Assembleia da República "quando convidado".