Pelo menos 61 pessoas morreram no incêndio de Pedrogão Grande. O Governo chegou a avançar 62 mortos, mas o primeiro-ministro, António Costa, reviu o número para 61. 

O primeiro-ministro explicou, em declarações aos jornalistas, que esta revisão aconteceu porque um dos registos veio em duplicado. António Costa admite que o número de mortos possa aumentar: "Seguramente iremos encontrar mais vítimas conforme consigamos avançar no terreno".

Segundo o último balanço, feito pela ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, além dos 61 mortos, há ainda 62 feridos, dois em estado grave.

Entre os feridos estão dez bombeiros.

Os feridos foram tansportados para hospitais de Lisboa, Coimbra e Porto. 

Muitos dos cadáveres foram encontrados em viaturas na Estrada Nacional 236-1, que faz a ligação ao IC8. Outros estavam nas margens desta estrada. Dez vítimas mortais foram encontradas em ambiente rural. 

Seis feridos dos que se encontram internados no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) estão em estado grave, disse o presidente deste centro, Fernando Regateiro. Desses seis feridos graves, cinco estão nos cuidados intensivos com ventilação.

No Hospital Pediátrico de Coimbra encontra-se internada uma criança de quatro anos, com queimaduras que atingem um sexto do corpo, mas o seu estado de saúde está a evoluir favoravelmente, segundo o mesmo responsável.

Dos 45 feridos que deram entrada nas unidades do CHUC, 12 vão receber tratamento nos serviços de cirurgias plástica, dez estão em observação e 16 já tiveram alta médica.

Fernando Regateiro fez este balanço aos jornalistas durante a visita que o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, e o secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, realizaram a serviços do CHUC.

Origem criminosa afastada pela PJ

Esta manhã, a Polícia Judiciária afastou a hipótese de origem criminosa. O diretor nacional da PJ afirmou que o incêndio teve origem numa trovoada seca. Ideia que já tinha sido avançaa pelo primeiro-ministro, António Costa, nesta madrugada.

O Governo declarou na madrugada deste domingo o estado de contingência.

"O estado de contingência ativa determinados meios e permite também outras possibilidades para tudo o que se vier a desenrolar a partir daqui e também para o que já aconteceu", disse o secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes.

O IC8, que liga Pombal a Vila Velha do Ródão, está cortado desde sábado, e já esta manhã a Autoestrada n.º 13, que liga Tomar a Coimbra, foi também fechada ao trânsito no nó do Avelar (Ansião).

"Catastrófico"

O presidente da Câmara de Castanheira de Pera, Fernando Lopes (PS), um dos concelhos do distrito de Leiria afetados pelo incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande, descreveu a situação que se vive como “caótica” e “catastrófica”.

“Isto está uma situação catastrófica. Está caótica”, disse, por telefone, à agência Lusa.

Afirmando ter “infelizmente” registo de vítimas mortais e de feridos no seu concelho, Fernando Lopes não soube, contudo, precisar as vítimas ou as casas ardidas.

“Não tem havido comunicações e isso dificultou muito. Temos muitas casas ardidas em várias localidades, mas não sei quantas ao certo”, disse. O autarca frisou ainda que o fogo “não dá sinais de querer abrandar” e que têm “poucos meios” a combatê-lo. “Todos temos ajudado e todos somos poucos”, lamentou o presidente da câmara.

Ajuda também chega de fora

A ministra da Administração Interna disse que na segunda-feira chegarão ao local 100 operacionais espanhóis, juntando-se aos meios aéreos internacionais (dois de França e quatro de Espanha).

No terreno estão, segundo a ministra, 834 operacionais e 258 viaturas, mantendo-se o incêndio com quatro frentes ativas, sendo as mais preocupantes as de Pedrógão Grande e Castanheira de Pera.

A ministra deu ainda conta de que foram evacuadas cinco aldeias na região por “mera precaução” devido ao risco de inalação de fumos e apelou aos populares para que não resistam às ordens das autoridades.

Qualquer resistência às ordens das autoridades não é admissível, temos de salvaguardar a vida humana, as pessoas têm de sair mesmo que seja só por mera precaução”, apelou.

A ministra informou ainda da localização de cinco pontos de atendimento da Segurança Social: em Avelar, no campo de futebol, em Pedrógão Grande, na Santa Casa, em Figueiró dos Vinhos, no pavilhão gimnodesportivo, em Ansião, nos Bombeiros Voluntários, e em Castanheira de Pera na Santa Casa.

A titular da pasta da Administração Interna admitiu que ainda nem toda a área foi percorrida e espera que com a noite o aumento da humidade permita um combate mais eficaz ao incêndio e elogiou a solidariedade nacional, salientando que muitas empresas e particulares têm enviado meios e alimentos para o local.

“O momento é de combater não é de fazer avaliações”, reiterou.