O jurista António Raposo Subtil considera que o arresto dos bens dos antigos gestores do BES leva a crer que o que está em causa é uma organização criminosa. As buscas realizadas pela Polícia Judiciária à família Espírito Santo e a altos quadros do BES, esta quarta-feira, foi tema de um debate no programa "Política Mesmo", que contou com a presença do jurista e dos comentadores da TVI24 António Costa e Constança Cunha e Sá.

"Penso que o que está em causa é uma organização criminosa. E nestas circunstâncias o arresto preventivo pode ir além do espaço próprio da pratica do crime. Para alem dos bens obtidos pela pratica do crime, no caso de organização criminosa mais complexa pode ser tudo arrestado para que não haja dissipação de património", disse o jurista.


António Raposo Subtil entende que a operação também deverá decorrer da investigação ao Grupo Espírito Santo que está a ser realizada noutros países.

"Outra questão é haver aqui uma teia, um polvo, que agora começa a mostrar a sua cabeça e que é decorrente da investigação que está a ocorrer na Suíça, no Dubai e noutros espaços onde o GES está a levar nas canelas."


Já o comentador da TVI24 António Costa considera que se trata de uma operação com uma "dimensão política"e justificou o seu ponto de vista.

"Arrisco que haverá aqui alguma relação do ponto de vista da decisão entre este processo e o aumento da contestação dos lesados que colocam uma pressão enorme sobre o Banco de Portugal o Novo Banco, quando parece que Ricardo Salgado não tem nada a ver com isto. Arrisco dizer que essa dimensão política também presidiu a estas operações."


Uma opinião que Constança Cunha e Sá também defende. A comentadora acrescentou ainda que a operação desvia "as atenções do Governador do Banco de Portugal". Recorde-se que Carlos Costa foi reconduzido pelo Governo no final do mês de maio, numa decisão muito criticada pela oposição.