O carvalho que esta terça-feira caiu na Madeira, provocando 13 mortos, não estava saudável, apesar de manter um bom aspeto exterior. Isto mesmo foi confirmado à TVI por um perito que não quis ser identificado e por Rocha da Silva, antigo diretor regional de florestas.

Nós conseguimos, com as nossas mãos, arrancar bocados do seu interior, o que atesta bem o estado de saúde da árvore. (…) Ela teria sinais de vitalidade, mas com certeza teria também sinais de existência de patologias”, explicou Rocha da Silva.

O antigo diretor regional de florestas afirmou que este carvalho apresenta uma mineralização do lenho, provocada pela existência de fungos.

As análises é que vão dizer quais são os fungos, mas há uma mineralização do lenho da árvore, uma podridão, que é provocada pela existência de fungos”, frisou.

Rocha da Silva explicou que uma árvore pode apresentar sinais de vida vegetativa, mas isso “não quer dizer que esteja saudável e segura”.

“É possível haver sinais de vida de uma árvore a caminho de morrer. (…)  Isso não quer dizer que a árvore esteja saudável e segura.”

Já antes, um perito que não quis ser identificado, tinha confirmado à TVI que a raiz do carvalho estava “apodrecida” e, por isso, a árvore não tinha uma base de sustentação.

Com o movimento e a agitação da festa religiosa que estava a acontecer, a Nossa Senhora do Monte, o carvalho secular, que já estava numa situação de instabilidade, terá caído. 

O engenheiro Rocha da Silva referiu que, “face a todos os acontecimentos”, tem de ser feito “um exame rigoroso” a cada uma das árvores que está no Largo da Fonte, onde existem vários plátanos presos por cabos de aço, e “agir de acordo com o diagnóstico que resultar dessa observação".

 Já durante a tarde, a equipa de técnicos que está a investigar a queda da árvore indicou que é ainda "muito prematuro" avançar os motivos que provocaram o acidente.

"Apenas iniciámos os trabalhos, a peritagem, a parte fitossanitária e a parte biomecânica da árvore e também de todo o espaço envolvente e amanhã prosseguiremos os trabalhos e a mais averiguações com mais detalhe", disse José Carlos Marques, diretor do Departamento de Ciências e Recursos Naturais da Câmara Municipal do Funchal, aqui citado pela Lusa.

Além deste responsável, a equipa técnica é composta por um perito exterior, Pedro Ginja, do Instituto Superior de Agronomia, pelo responsável dos Espaços Verdes da autarquia funchalense, Francisco Andrade, e ainda por Rocha da Silva, que foi indicado pela Diocese do Funchal para acompanhar os trabalhos.