As associações de pais reconheceram, esta quarta-feira, o direito à greve dos professores, mas defenderam que é necessário encontrar soluções para que a escola pública funcione sem sobressaltos e sem afetar as famílias.

Escolas fechadas, alunos sem aulas e professores na rua é o cenário traçado por sindicatos e diretores escolares no dia em que os docentes estão em greve para contestar algumas medidas do próximo Orçamento do Estado, como a não contagem de todo o tempo de serviço.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), Jorge Ascensão, reconheceu que a greve é um direito, mas lamentou o impacto que tem na vida das famílias.

“Ouvimos o Dr. Filinto Lima [diretor do Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas] a dizer que quando as escolas estão fechadas as famílias têm de levar os filhos para casa, esquecendo-se é que as famílias, muitas delas, não estão em casa”, disse Jorge Ascensão.

Mas – lamentou – “a escola pública que temos é esta, constantemente em perturbação, com intranquilidade”.

Ressalvando que “a greve é um direito” que os professores têm, Jorge Ascensão disse que os pais “gostariam muito que fosse possível encontrar soluções para que a escola pública pudesse funcionar de forma tranquila e com normalidade”.

Esta posição é partilhada por Rui Martins, da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE), que também lamentou o “grande transtorno” causados às famílias, que têm de procurar soluções para deixar os filhos.

“Nós, como pais, percebemos e estamos do lado daqueles profissionais que defendem os seus direitos, mas aquilo que pedimos é que quem está acima deles e tenha a capacidade de negociar evite que estas coisas aconteçam”, disse Rui Martins à Lusa.

Era esta situação que “gostaríamos que tivesse ocorrido, não foi possível. Esperemos que num curto espaço de tempo tudo se resolva em prol dos nossos filhos”, sustentou Rui Silva, que teve de arranjar uma alternativa para deixar a filha que não teve aulas devido à paralisação dos docentes,

Os professores contestam a proposta do Orçamento do Estado que prevê que não seja contabilizado o trabalho realizado entre 31 de agosto de 2005 e 31 de dezembro de 2007, nem entre janeiro de 2011 e 31 de dezembro de 2018.

Segundo os dados recolhidos pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof) no primeiro tempo da manhã, a adesão à greve dos professores ronda os 90%.

Os docentes representam 1/6 dos trabalhadores da Função Pública e 1/7 da massa salarial e, segundo o Governo, a contagem desse tempo de serviço iria pôr em causa a sustentabilidade dos próximos OE, uma vez que tal teria um custo total de cerca de 600 milhões.