O Sindicato dos Trabalhadores da Tração do Metropolitano (STTM) admitiu esta quarta-feira que há problemas de segurança no Metropolitano de Lisboa e revelou que «todos os dias param comboios» por questões técnicas.

«Todos os dias paramos comboios devido a problemas técnicos, a avarias. Mas como isto não é um avião, não é notícia. A segurança, hoje, não é como há três anos», disse José Silva Marques.

O sindicalista falava numa conferência de imprensa convocada por vários sindicatos do metro e pela Comissão de Trabalhadores para esclarecer os motivos da greve convocada para terça-feira.

Lembrando o descarrilamento que ocorreu a 29 de julho, José Silva Marques disse «ter medo que este tipo de acidentes comece a acontecer» devido à falta de condições de trabalho a que os trabalhadores têm sido submetidos. Para exemplificar, disse que atualmente há menos 50 maquinistas a trabalhar.

O sindicalista criticou ainda o secretário de Estado dos Transportes e a administração da empresa, afirmando que «estão a criar condições para piorar o serviço para entregar a empresa a alguém».

Na conferência de imprensa, Anabela Carvalheira, da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS) esclareceu que a principal preocupação dos trabalhadores, e que os levou a convocar a greve, é a degradação do serviço público e a eventual degradação da empresa com a sua concessão a privados.

«Com a privatização, teremos piores condições para os trabalhadores, pior serviço público e aumento dos tarifários», afirmou.

Para exemplificar a diferença entre público e privado, a sindicalista sugeriu que se compare o preço por quilómetro que os utentes pagam na Fertagus e no metro. «Também estamos contra os cortes salariais, o desrespeito pelo Acordo de Empresa e a diminuição do número de trabalhadores», acrescentou.

Anabela Carvalheira lamentou a «falta de vontade» da tutela em ultrapassar estes conflitos, afirmando que «quer a administração, quer o Governo apenas têm fingido que querem negociar».