Nos últimos dois meses, oito pessoas morreram e outras 22 foram infetadas por uma bactéria no hospital de Vila Nova de Gaia. No entanto, segundo o Hospital, em isolamento, estão 13 pessoas, mas apenas duas merecem maior preocupação.

“Dos 13 internadas em isolamento, dois têm quadros infecciosos, mas são doentes submetidos a cirurgias, que têm drenos e que, por isso, são mais vulneráveis. Têm dispositivos invasivos que favorecem a permanência da bactéria e o desenvolvimento de infeção. Por prevenção, classificamos como estando infetados com a bactéria”.


Segundo a Coordenadora do Grupo Coordenador Local do Programa de Prevenção e Controlo de Infeção e Resistência aos Antimicrobiano do Centro Hospitalar Gaia/Espinho (CHVNG/E), Margarida Mota, em declarações à Lusa, trata-se de uma bactéria presente na flora intestinal, que “desenvolveu ou recebeu um gene que lhe dá a capacidade de produzir uma enzima” resistente aos antibióticos.
 

“Torna-se preocupante quando passa para pessoas doentes, imunodeprimidas, com múltiplas comorbilidades. Dado que é resistente, tem uma alta taxa de mortalidade porque não temos sistemas de antibióticos adequados e eficazes para conseguir controlar a situação”.


O Hospital de Gaia garantiu ainda que, neste momento, não há nos seus cuidados intensivos doentes infetados com a bactéria, identificada em agosto naquela unidade.

Margarida Mota refere que “todos os doentes internados que se encontram sinalizados estão em regime de isolamento em unidade individual ou corte em enfermaria”.

De acordo com a especialista, após a bactéria ter sido detetada, "verificou-se a ocorrência de oito óbitos".
 

"Contudo, a causa dos mesmos não pode ser atribuída diretamente a esta infeção dada a complexidade e gravidade dos quadros clínicos de base (situações oncológicas e de elevada comorbilidade)”.


Revelada esta quarta-feira pelo Jornal de Notícias, esta situação de infeção pela bateria Klebsiella Pneumoniae foi detetada a 7 de agosto.

Em declarações aos jornalistas, Margarida Mota sublinhou que, neste momento, “o risco de contágio baixou muito porque os doentes estão em regime de isolamento e estão a ser feitos rastreios a todos os contactos e aos doentes que tiveram contactos com infetados”.
 

“Estão sob medidas de vigilância até termos os resultados do rastreio. Todos os doentes que tiveram contacto com estes doentes são rastreados. É natural que para a semana possamos ter um número superior, mas porque os procuramos”.


De acordo com Margarida Mota, até este momento foram rastreados 44 doentes e estão em curso mais quatro rastreios, que vão no segundo dia. O rastreio é feito com colheitas de três dias.

“Segundo a análise de rastreio de contacto entre doentes, verifica-se a ocorrência de 8 doentes positivos em 44 casos”.


A responsável garantiu que estão criadas todas as condições para prevenir novos casos, quer ao nível de locais de isolamento, equipamento de proteção individual e formação os profissionais.

De acordo com a responsável, após identificação do primeiro caso foi reforçada a capacidade do Laboratório de Microbiologia, nomeadamente através da aquisição de métodos específicos de identificação da bactéria (Biologia Molecular), do reforço da equipa nos turnos de fim de semana para resultados mais rápidos e procedeu-se à implementação de protocolo de rastreio de contactos.

Margarida Mota diz ainda que, entre outras medidas, se procedeu à notificação de estirpes à Direção-Geral de Saúde (DGS) e iniciou-se o processo de análise do genótipo das unidades isoladas.

Sobre o risco de contágio para profissionais de saúde e outros doentes, a responsável refere que “segundo vários estudos publicados sobre o risco ocupacional, verifica-se que o mesmo é pouco significativo ou nulo, desde que asseguradas as medidas de precauções básicas”.