O ministro da Defesa, Azaredo Lopes, anunciou, esta quarta-feira, o reinício do 127.º curso dos comandos, em que morreram dois militares.

Azeredo Lopes disse já ter sido informado pelo Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME) que o curso retomaria as atividades esta quinta-feira e destacou que as razões que levaram, por precaução, a interromper o curso "estão encerradas".O anúncio foi feito na Comissão Parlamentar de Defesa, onde Azaredo Lopes é questionado pelos deputados. 

O curso poderá reiniciar-se amanha, 15 de setembro. As razões que levaram de maneira precaucional a interromper o curso, até se fazer uma avaliação médica de todos os que podiam, eventualmente, concluí-lo, está encerrada."

O ministro começou por lamentar os "trágicos acontecimentos" que resultaram na morte de dois militares na sequência do treino de instrução no passado dia 04 e transmitiu a solidariedade do Governo às famílias, que disse estarem a ser acompanhadas por psicólogos do Exército.

Azaredo Lopes adiandou, também, que os resultados da avaliação médica a todos os militares que se encontravam a frequentar o curso serão divulgados posteriormente pelo exército.

Esses resultados serão, depois, se assim o entender, divulgados em pormenor pelo exército, mas apesar de tudo isto significa, parece-me, uma questão interessante pelo regresso gradual à normalidade que é sempre aquilo que todos desejamos.”

O ministro da Defesa considerou ainda que "independentemente da opinião sobre a valia dos Comandos houve um consenso muito relevante" em termos políticos e elogiou o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, e a presidente do CDS-PP, Assunção Cristas.

Eu tenho a obrigação de destacar muito pela positiva o sentido de Estado que é minha obrigação quer no líder do PSD, quer no líder do CDS-PP, Assunção Cristas", disse.

Também o Exército anunciou, em comunicado, que o Chefe do Estado-Maior do ramo, Rovisco Duarte, autorizou que o 127.º curso retomasse as atividades previstas no plano "considerando que a avaliação não revelou contra indicações clínicas que impeçam a continuidade".

O conjunto de exames e análises feitos incidiram sobre o estado geral de saúde, uma avaliação da degradação de funções específicas e incluíram uma entrevista individual com um clínico.

Os resultados dos exames e análises foram avaliados por médicos das especialidades de medicina desportiva, interna, cardiologia e ortopedia. Os instruendos que estão ou estiveram internados no Hospital das Forças Armadas continuam o seu processo de recuperação, adiantou o porta-voz do Exército.

A polémica em torno do 127.º Curso de Comandos gerou-se depois da morte de um militar e da hospitalização de vários outros que frequentavam o curso, um dos quais viria a falecer também devido a complicações hepáticas. Os militares foram vítimas de "golpes de calor".

O caso desencadeou investigações, instauradas quer pelo chefe do Estado-Maior do Exército, quer pela Procuradoria-Geral da República e levou à suspensão dos cursos.