Cerca 50 de funcionários do Instituto de Segurança Social (ISS), em processo de requalificação profissional, assistem esta terça-feira à tarde no largo da Assembleia da República, em Lisboa, às audições parlamentares sobre racionalização de trabalhadores, que decorrem no interior do edifício.

As audições são acompanhadas pelos manifestantes no exterior através de um ecrã instalado num estúdio móvel.

Empunhando bandeiras da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) e do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas do Norte, os manifestantes protestam contra o processo de requalificação de cerca de 700 trabalhadores do ISS, e mostram-se indignados por terem sido impedidos de assistir no interior do parlamento às audiências.

Entre os manifestantes encontram-se professores, assistentes operacionais e terapeutas da fala, que exigem cartazes pintados de negro onde se lê «Je suis trabalhador».

A educadora de infância Maria da Luz Machado, que trabalha há 14 anos na Segurança Social e há 31 anos é funcionária pública, disse à agência Lusa que foi «completamente apanhada de surpresa» neste processo, e adiantou que vai recorrer para o tribunal quando a notificação sair em Diário da República.

O ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, Pedro Mota Soares, é esta terça-feira ouvido no parlamento, na sequência de um requerimento potestativo do PS sobre a colocação de 697 funcionários da Segurança Social no regime de requalificação.

Para além do ministro Mota Soares, também a presidente do Instituto da Segurança Social (ISS), Mariana Ribeiro Ferreira, que entretanto está de saída do ISS e decidiu não se recandidatar ao cargo, será ouvida na Comissão Parlamentar de Segurança Social e Trabalho, sobre o mesmo tema.

Em setembro, vários centros regionais de Segurança Social fizeram reuniões com cerca de 700 trabalhadores, sobretudo assistentes operacionais (motoristas e telefonistas) para os informar da intenção de os colocar em requalificação (ex-mobilidade especial).

O processo de reorganização do ISS tem por base um estudo de avaliação enviado pelo ISS para o Ministério de Mota Soares e para o Ministério das Finanças, que contém uma previsão dos efeitos concretos da reorganização nos mapas de pessoal.