Centenas de pessoas desfilaram este sábado no centro de Lisboa com cartazes de apoio aos refugiados, com a manifestação a terminar no Terreiro do Paço sem incidentes, apesar da presença de nacionalistas do Partido Nacional Renovador (PNR).

A manifestação de apoio a refugiados, convocada nas redes sociais por um “movimento de cidadãos”, começou junto da Rotunda do Marquês de Pombal e desceu a Avenida da Liberdade.

Organizada no âmbito do Dia Europeu de Ação aos Refugiados, que levou hoje às ruas de várias cidades europeias milhares de pessoas, a manifestação juntou na maioria jovens, com cartazes como “bem-vindos refugiados”.

Iniciada com um grande cartaz onde se lia “Toda a gente em todo o lado” a manifestação teve ainda música e palavras de ordem como “paz sim, guerra não, para todos sem exceção” “bem-vindos” ou “fronteiras não, somos todos irmãos”.

Apesar das palavras de ordem pacifistas foi tenso o início da iniciativa, ainda na rotunda, pela presença do PNR, menos de uma dezena de pessoas, com megafone, a gritar também palavras de ordem mas contra a presença de refugiados em Portugal.

Com bandeiras do partido e de Portugal, gritavam palavras como “ninguém cala a nossa voz”, a que, a poucos metros, os manifestantes a favor dos refugiados respondiam “fascistas”.

Com os manifestantes a descerem a Avenida da Liberdade a polícia reteve os elementos do PNR, que desceram também a avenida mas a cerca de 500 metros.

No final da manifestação, na Praça do Comércio, acabaram por se juntar de novo. O PNR gritava “ação, ação, lutar pela nação”, e os manifestantes respondiam “fascistas, fascistas, chegou a vossa hora, os refugiados ficam e vocês vão embora”.

A ação da polícia evitou que os manifestantes dos dois lados se juntassem demasiado, acabando os antagonismos por esmorecer com alguns insultos e gestos.

Do lado do PNR, para João Patrocínio, o seu secretário-geral, a justificação para a presença no local foi assim: “achamos que é agora que temos de o fazer”, para que as pessoas saibam “que existe alguém em Portugal que defende os portugueses”.

“Não se pode acolher refugiados quando temos dramas” no país para resolver, pelo que não se pode “substituir portugueses por sírios”, disse. E porquê no mesmo local e hora? “O PNR tem uma agenda própria, não anda a reboque de ninguém”, também palavras do responsável.

Do lado dos manifestantes, sem organizadores e sem que ninguém quisesse assumir responsabilidades, ficaram as palavras de ordem como “não às barreiras, europa sem fronteiras”, as palmas e os tambores.

E no final alguns dos que estiveram “na frente” da iniciativa, mas que não quiseram ser citados afirmaram-se satisfeitos com a adesão.

“Os portugueses não são muito de aderir a causas, acho que foi muito bom”, disse uma das manifestantes.