Os incêndios que lavraram no país este sábado não deram tréguas nem aos bombeiros, nem aos populares e obrigaram a várias evacuações. Em Miranda do Corvo, o fogo ganhou proporções fora do comum, criando um cenário dantesco, e na Mealhada também se viveram momentos de grande aflição. 

Coimbra foi um dos distritos mais afetados e ativou o Plano Distrital de Emergência da Proteção Civil. Neste distrito, também foi ativado durante a tarde o Plano Municipal de Emergência de Miranda do Corvo.

O fogo que lavrou em Miranda do Corvo, na freguesia de Semide, tomou proporções fora do comum ao final da tarde.  As chamas colocaram "em risco" diversas casas de cinco aldeias, segundo a autarquia.

O Plano Municipal de Emergência de Miranda do Corvo foi ativado às 18:00, devido ao incêndio de grandes dimensões que lavra na Freguesia de Semide e que coloca em risco diversas habitações nas aldeias de Canas, Chãs, Vale de Colmeias, Cimo de Vila e Lata", indica a autarquia, em comunicado.

O repórter da TVI António Crespo deu conta da força das chamas em Senhor da Serra, Miranda do Corvo, onde se desenhou um cenário dantesco.

Fonte da câmara disse à Lusa que o incêndio começou no concelho de Coimbra, mas evoluiu rapidamente para Miranda do Corvo, tendo subido a encosta da Estrada da Beira.

O fogo destruiu pelo menos uma casa de primeira habitação, provocando dois desalojados na aldeia da Lata, afirmou o presidente da Câmara.

Na localidade de Adões, na Mealhada, a situação também foi muito preocupante. Uma frente de fogo avançou rapidamente e a repórter da TVI Andreia Marques testemunhou a aflição dos populares, perante a força das chamas. 

Este grande incêndio na Mealhada, distrito de Aveiro, levou à evacuação de um lar e de algumas zonas da localidade de Barcouço, durante a tarde.

O incêndio, que deflagrou na quinta-feira, foi dominado durante a noite, mas reativou às 16:53 e esteve "a arder com muita intensidade", segundo a Proteção Civil.

 

Mais de 70 incêndios em apenas três horas

Coimbra, Aveiro e Santarém foram os distritos mais afetados pelos incêndios, neste sábado, segundo a adjunta da Proteção Civil, Patrícia Gaspar, que fez um balanço das operações, às 19:00.

A responsável explicou que, depois de uma manhã tranquila, durante a tarde registou-se um número muito elevado de ocorrências, com vários reacendimentos. Em apenas três horas, deflagraram mais de 70 fogos. 

Tivemos reativações em incêndios que tinham ficado dominados esta manhã", frisou a responsável.

No concelho de Cantanhede, distrito de Coimbra, o fogo que deflagrou ao início da tarde de sexta-feira, e que estava dado como dominado, reacendeu com uma frente “muito rápida e forte”. 

Devido a este fogo, a A14 foi novamente cortada, entre Coimbra Norte e Figueira da Foz, nos dois sentidos, no nó de Cantanhede, Ançã.

Uma quinta que acolhe eventos, na localidade de Lamarosa, concelho de Coimbra, foi evacuada "por uma questão de precaução".

Um grande incêndio lavrou também em Tomar, no distrito de Santarém. 

Ainda em Santarém, um outro fogo que em Ferreira do Zêzere tinha sido dado como dominado, mas reativou à tarde e entrou na localidade de Beco, segundo o presidente da Câmara Municipal, que descreveu o incêndio como "medonho". 

Já no distrito de Leiria, o fogo em Alvaiázere obrigou ao corte da A13.