O espião português detido em flagrante delito, em Roma, a vender informações da NATO a um espião russo detentor de passaporte diplomático no âmbito da operação "Top Secret" foi condenado a prisão preventiva.

O juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), Ivo Rosa, admitiu que poderá existir a possibilidade de esta medida vir a ser alterada para obrigação de permanência na residência com vigilância eletrónica, desde que estejam preenchidos os requisitos exigidos.

Após interrogatório judicial, o magistrado considerou que o arguido está "fortemente indiciado" dos crimes de violação de segredo de Estado, espionagem e corrupção.

O funcionário do tribunal que comunicou a medida de coação aos jornalistas referiu ainda que, após o interrogatório, o Ministério Público pediu a prisão preventiva do funcionário do Serviço de Informações e Segurança (SIS) por considerar existir o perigo de fuga, continuação da atividade criminosa e possibilidade perturbação da investigação.

Segundo os investigadores da operação "Top Secret", o funcionário do SIS é suspeito de transmissão de informações a troco de dinheiro a um agente dos serviços de informações russos, estando em causa crimes de espionagem, violação do segredo de Estado, corrupção e branqueamento de capitais.

Porém, na terça-feira, o advogado de defesa, José Preto, adiantou à Lusa que iria refutar as imputações do Ministério Público, alegando também que houve "um conjunto de irregularidades" relacionadas com a detenção de Frederico Carvalhão Gil em Roma.

José Preto desafiou ainda os investigadores a provarem o flagrante delito e a apresentarem as provas da venda de segredos da NATO porque, diz, o seu cliente "não vendeu informações".