O militar do curso de Comandos que estava internado no Hospital do Barreiro foi transferido para o Hospital Curry Cabral, para tratamento de problemas hepáticos, informou o porta-voz do exército, tenente-coronel Vicente Pereira.

"O soldado Bylan Araújo da Silva foi transferido do Hospital do Barreiro para o Hospital Curry Cabral. Apesar da melhoria progressiva do ponto de vista global, por evolução para falência hepática procedeu-se à transferência para o Hospital Curry Cabral, centro de referência para a área", indica uma nota sobre a situação clínica dos militares do 127º Curso de Comandos.

Bylan Araújo da Silva foi internado na sequência de um treino do curso de Comandos, durante o qual morreu um outro militar devido a "um golpe de calor".

Em relação aos militares que necessitaram de internamento hospitalar, o Exército adianta que outros três militares encontram-se no Hospital das Forças Armadas, dois deles no Serviço de Medicina, sendo a sua situação clínica estável, não levantando cuidados de maior. O terceiro militar está na Unidade de Tratamentos Intensivos, diagnosticado com "golpe de calor".

Segundo o porta-voz do Exército, encontra-se ainda internado no Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa (unidade de saúde com protocolo com o Hospital das Forças Armadas), um militar desde as 19:00 de 06 de terça-feira.

Este militar encontra-se "clinicamente estável mas com alterações na função renal", conclui a nota.

Na segunda-feira, o ministro da Defesa manifestou "profundo pesar" pela morte de um militar daquele curso de Comandos, tendo transmitido à família do soldado a sua "solidariedade pessoal e do Governo neste momento de dor e sofrimento".

Na altura, o Exército esclareceu que apesar da morte de um militar e de um outro ter ficado ferido no domingo, os treinos iam continuar, embora adaptados ao tempo quente.

Os incidentes ocorreram ambos na região de Alcochete, no distrito de Setúbal, embora em locais diferentes, sendo que o incidente do militar que veio a falecer ocorreu pelas 15:40.

De acordo com uma primeira nota do Exército português, o militar falecido, que frequentava o 127.º curso de Comandos, sentiu-se “indisposto durante uma prova de tiro (tiro reativo)” tendo sido de imediato assistido pelo médico que acompanhava a instrução, que lhe diagnosticou “um golpe de calor”.

Esse facto determinou a saída do militar da instrução e a sua transferência para a enfermaria de campanha, onde terá ficado em observação.

Como após o jantar a situação clínica do militar piorou, o médico optou pela sua retirada para um hospital, mas acabou por morrer após uma paragem cardiorrespiratória antes de chegar a ser transferido.

O chefe do Estado-Maior do Exército ordenou já um inquérito para apurar as causas em que o “trágico acontecimento ocorreu”, tendo a Polícia Judiciária militar tomado conta da ocorrência.

Entretanto, a Procuradoria-Geral da República confirmou hoje à Lusa a existência de um inquérito sobre a morte do militar, “o qual corre termos no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa”.