O novo balanço da Direção-Geral de Saúde dá conta de que dois dos 29 doentes infetados com legionella morreram, esta segunda-feira, na Unidade de Cuidados Intensivo, do hospital Santa Maria,  e de uma unidade de saúde privada, onde estavam encontravam internados.

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As vítimas são um homem de 77 anos e uma mulher de 70 anos.

Até ao anúncio dos dois casos mortais, o balanço do surto estava em 26 casos diagnosticados, dos quais dois se encontravam internados na unidade de cuidados intensivos do Hospital São Francisco Xavier.

Graça Freitas salientou que o Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge está a realizar análises, que vão demorar tempo a produzir resultados para detetar a origem do surto, admitindo a responsável que poderá estar nas torres de refrigeração ou no sistema de águas do hospital.

A diretora-geral da Saúde insistiu ainda que ainda não está esclarecida a origem do foco de infeção com a bactéria 'Legionella pneumophila' no hospital São Francisco Xavier.

"É prematuro dizer qual é o ponto de infeção", disse Graça Freitas.

A diretora-geral da Saúde disse que os 29 casos diagnosticados até agora, na sua maioria idosos, eram tanto doentes que estavam a ser assistidos no hospital como acompanhantes que estiveram na zona das urgências e terão sido infetados pela bactéria "em vários locais diferentes", inclusivamente no exterior do edifício, o que, admitiu Graça Freitas, "pode ser compatível com as torres de refrigeração (de ar condicionado)" como fonte de contaminação.

As informações iniciais sobre o surto de infeção com legionella apontavam a canalização de água do hospital como origem da contaminação.

Graça Freitas disse hoje que logo que foi detetada a infeção "fez-se um tratamento de choque para interromper a contaminação”. As medidas tomadas incluíram "choque térmico, choque químico, purga nas águas e fecho das torres de refrigeração".

O Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge recolheu análises em 11 pontos diferentes do Hospital São Francisco Xavier e demorará cerca de duas semanas até que haja resultados fiáveis.

"Para já é prematuro falar em falhas e tem que se dar tempo aos técnicos", disse Graça Freitas, adiantando que "há uma expectativa positiva" para a evolução do surto, esperando-se que não continuem a surgir novos casos.

De acordo com Graça Freitas, a data da primeira contaminação terá sido 27 de outubro.

Centro Hospitalar rejeita falta de investimentos

A administração do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental rejeitou qualquer relação entre o surto de infeção com 'legionella' no hospital São Francisco Xavier e a capacidade de financiamento e investimentos existente na unidade.

“O Conselho de Administração do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental esclarece que mantém um contrato de concessão de exploração da unidade de cogeração para fornecimento de energia térmica ao hospital São Francisco Xavier com uma empresa especializada e certificada”, refere, num comunicado enviado à agência Lusa.

A administração salienta que o contrato estabelece a “responsabilidade da empresa e as condições em que essa deve ser executada”.

“Incluiu toda a manutenção preventiva e corretiva, bem como quaisquer outros encargos que resultem necessários ao bom funcionamento dessa unidade”, refere, vincando que “não existe, pois, nenhuma relação entre a situação ocorrida e a capacidade de financiamento e investimentos no Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental EPE”.

PSD quer explicações

O PSD exigiu que o ministro da Saúde tome “medidas urgentes” e “tranquilize os cidadãos” sobre o surto de 'legionella' no Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa, considerando que “não é aceitável” esperar duas semanas por um relatório.

“Nós temos uma reunião marcada para amanhã [terça-feira] com a administração do centro hospitalar. Com estes desenvolvimentos dramáticos, o desassossego que existe é muito maior”, afirmou o vice-presidente da bancada do PSD Miguel Santos, em declarações à Lusa, depois de ter sido anunciado que duas pessoas morreram.

O deputado do PSD exigiu do ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, que “não vai haver mais desenvolvimentos nefastos e dramáticos”, considerando que é insatisfatória a resposta do titular da pasta de que está um inquérito a decorrer e só haverá uma resposta dentro de duas semanas.

“Esta situação obriga à tomada de medidas urgentes e a uma posição por parte do ministro de Saúde que tranquilize as pessoas e que dê garantias que, quando a pessoa se dirige a um estabelecimento do Serviço Nacional de Saúde, que está diretamente sob a tutela do governo, os cidadãos têm de ter a confiança de que vão para serem tratados e de que tudo correrá bem”, defendeu.