Só entre 1 de janeiro e 31 de agosto, os incêndios florestais consumiram mais de 213 mil hectares. É já o valor mais elevados dos últimos dez anos e duas vezes mais do que a média anual de área ardida, informa o relatório provisório do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.

Houve um total de 12.377 ocorrências nos primeiros oito meses do ano: 2.652 incêndios florestais e 9.725 fogachos, que resultaram em 213.986 hectares de área ardida de espaços florestais.

Só os seis maiores incêndios registados este ano foram responsáveis por quase metade da área ardida em território nacional. Falamos dos fogos da Sertã, Pedrógão Grande, Góis, Mação, Ferreira do Zêzere e Louriçal do Campo.

Embora haja este recorde de área consumida pelas chamas, no que toca ao número de incêndios isso não acontece. Os registos mensais mostram que apenas os meses de janeiro, abril e junho de 2017 ficaram acima das médias mensais do decénio 2007-2016.

Foi em agosto que se registou o maior número mensal de incêndios (3.921). Também nesse mês se contabilizou a maior área ardida em Portugal Continental (81.313 hectares). Contas feitas, cerca de 38% da área ardida total até à data.

É preciso sublinhar que, há mais de 30 anos que não existia um ano com tanta área ardida média por fogo florestal: arderam 17 hectares por ocorrência este ano.

Já em termos de reacendimentos, até 31 de agosto houve 915, menos 18% do que a média anual do período 2007-2016.

O distrito com maior área ardida é Castelo Branco, com 37.234 hectares, cerca de 17% da área total ardida no continente. Segue-se Santarém, com 35.937 hectares, e Coimbra, com 25.593.

O incêndio que provocou maior área ardida no distrito de Castelo Branco teve a sua origem na freguesia de Várzea Dos Cavaleiros, concelho da Sertã, e consumiu 29.752 hectares de espaços florestais (80% do total ardido no distrito).

O distrito com maior número de fogos contbailizados é o Porto (2.969), seguido de Braga (1.333) e Viseu (1.203).

"Em qualquer um dos casos as ocorrências são maioritariamente fogachos, ou seja, ocorrências de reduzida dimensão que não ultrapassam 1 hectare de área ardida. No caso específico do distrito do Porto a percentagem de fogachos é de 89%", esclarece o relatório do INCF.

Da análise do índice de severidade diário (DSR), acumulado desde 1 de janeiro, o ICNF indica que 2017 é o segundo ano mais severo desde 2003, ultrapassado apenas por 2005.

Face às condições meteorológicas adversas, favoráveis à propagação de incêndios florestais, a Autoridade Nacional de Proteção Civil decretou, até à data, 66 dias de alerta especial de nível amarelo ou superior do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF), dos quais se destacam 28 dias em agosto.

Quanto aos grandes incêndios (com área total afetada igual ou superior a 100 hectares), até 31 de agosto registaram-se 123 incêndios desta categoria, que queimaram 193.111 hectares de espaços florestais, cerca de 90% do total da área ardida.

Os piores anos de sempre em área ardida registaram-se em 2003 (425.839 hectares) e 2005 (339.089).

Não esquecer que quase 79% de Portugal continental encontrava-se em julho em situação de seca severa e extrema.

Áreas protegidas: 20 mil hectares consumidos

O mesmo relatório assinala que mais de 20 mil hectares de áreas protegidas arderam este ano, destruindo mais de metade do Monumento Natural das Portas de Rodão e da Paisagem Protegida da Serra da Gardunha.

Terão ardido 20.781 hectares de espaços florestais da rede Nacional de Áreas Protegidas, com destaque para o Parque Natural do Douro Internacional pela maior extensão de área afetada (6.685 hectares, cerca de 7,7% da área total do parque).

Os incêndios destruíram 60% do Monumento Natural das Portas de Ródão e 52,9% da paisagem protegida da Serra da Gardunha (5.563 hectares ardidos), além de 7,2% do Parque Natural do Vale do Tua, com 1.784 hectares ardidos.

Arderam 4,6% (4.109 hectares) da área do Parque Natural da Serra da Estrela, 4,5% (149 hectares) da Paisagem Protegida da Albufeira do Azibo, em Macedo de Cavaleiros e Bragança, 4% (288 hectares) da área do Parque Natural do Alvão e 1,3% (919 hectares) do Parque Natural da Peneda-Gerês.

As áreas protegidas terrestres ocupam, aproximadamente, 712 mil hectares e os terrenos submetidos ao regime florestal 523 mil hectares (55 mil em matas nacionais e 468 mil em perímetros florestais).