O sindicato que representa os inspetores do SEF apelou hoje ao Governo para que invista na admissão de novos profissionais, caso contrário, num futuro próximo, deixará de haver condições para garantir com segurança o controlo das fronteiras.

Temos uma problemática que é a falta crónica de pessoal. Em 10 anos não houve admissão de inspetores e, se essa tendência continuar, obviamente que, num futuro muito próximo, deixará de haver condições para garantir com segurança o controlo das fronteiras nacionais e europeias”, disse o presidente do Sindicato da Carreira de Investigação e Fiscalização do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SCIF/SEF).

Acácio Pereira falava à agência Lusa a propósito da conferência “A Europa e os refugiados – riscos e oportunidades”, que o sindicato realiza na quinta-feira, em Lisboa.

Quando questionado sobre um dos temas em debate - “tem o SEF condições para garantir a segurança das fronteiras nacionais?” -, o presidente do sindicato voltou alertar para a falta de inspetores naquele serviço de segurança, sublinhando a necessidade de “um reforço de investimento no pessoal proporcional ao grau de exigência”, que tem vindo “a crescer constantemente“.

Acácio Pereira referia-se ao trabalho que é exigido no âmbito da recolocação de refugiados e do terrorismo.

A falta de inspetores reflete-se em toda a atividade do SEF. Há uma gestão muito apertada de pessoal, mas neste momento uma gestão apertada já não é suficiente, já há um esforço acrescido e um desgaste muito grande por parte dos inspetores”, disse.

O presidente do sindicato que representa os inspetores do SEF afirmou que “ainda não se refletiu na atividade operacional a falta de pessoal“.

Segundo o sindicalista, a média de idades dos inspetores do SEF é de 48 anos.

Por isso, sustentou, “este problema tem que ser encarado de frente” e o Governo “tem que assumir como desígnio o reforço da segurança dos cidadãos”.

Acácio Pereira chamou também atenção para a necessidade de investimento na tecnologia.

O SEF foi pioneiro e está na vanguarda da tecnologia, mas nos últimos tempos tem havido um desinvestimento e é necessário continuar a investir para se manter nessa vanguarda e se conseguir manter padrões de elevadíssima qualidade”, disse.

Na conferência sobre a vaga de refugiados na Europa, os inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, enquanto especialistas em matérias de imigração, controlo de fronteiras, refugiados e segurança interna, vão analisar, debater e aplicar os seus conhecimentos a este fenómeno, quer ao nível nacional, quer internacional.

O tema dos refugiados é absolutamente central nos dias de hoje na Europa e no mundo, obviamente que o sindicato que representa os inspetores do SEF não podia alhear-se desta questão e tinha que a trazer para discussão pública”, disse Acácio Pereira, acrescentando que é necessário envolver a sociedade civil “numa problemática que vai marcar este século”.

Além do debate sobre “Portugal, fronteira da União Europeia: tem o SEF condições para garantir a segurança das fronteiras nacionais?”, vão ser também discutidos os temas: “podem as democracias europeias aprofundar-se sem investir mais em segurança e na defesa” e a “vaga de refugiados em direção à Europa: episódio ou tendência estrutural?”.

A conferência vai contar, na sessão de abertura, com a presença da ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa.