Ninguém fica indiferente ao último livro de José Saramago. «Caim» agitou as mentes, nomeadamente da Igreja. Para o padre Joaquim Carreira das Neves, a obra não é mais do que uma «sátira».

«Eu não tenho culpa, eu não matei Abel»

«Estou a ler o livro dele e já vou a metade. Lê-se muito bem», confessou à TVI, recordando que Saramago «é um criador de imagens» e por isso «o livro não é incómodo». «Não tem nada de mal, até se lê muito bem», acrescenta, confessando ser um admirador da obra do Prémio Nobel da Literatura.

«Só me espanta como é que o Saramago, sendo ele um homem da literatura, não veja a Bíblia a partir dos géneros literários, a partir dos mitos, das sagas, da história e da poesia. Ele inventa o Adão, e a Eva e o Caim e o Abel à maneira dele. Pode fazer aquilo que ele quiser porque diz que aquilo é um romance», refere.

Carreira das Neves conclui a apreciação com um desabafo: «Não sei classificar. Para mim é uma sátira».

Para o teólogo, o Gato Fedorento «faz bem» o seu trabalho com os políticos, mas Saramago «escolheu um alvo, a Bíblia, não parando para pensar nos milhões de cristãos e católicos que ofende e maltrata».

«Saramago é um Gato Fedorento a brincar com a Bíblia», realçou.