O deputado do PS Manuel Alegre será orador num comício que na terça-feira junta dirigentes do Bloco de Esquerda, renovadores comunistas e socialistas «históricos» contra as «desigualdades», as «injustiças» sociais e a corrupção em Portugal.

Marcado para o Teatro da Trindade, além de Manuel Alegre, vão usar da palavra no comício o jovem deputado do Bloco de Esquerda José Soeiro e a professora universitária Isabel Allegro Magalhães.

Na lista de apoiantes do manifesto de apelo à participação no comício, contam-se vários dirigentes do Bloco de Esquerda, socialistas «históricos» e da ala esquerda do partido, assim como renovadores comunistas, mas nenhum dos actuais membros da direcção do PCP.

«Vindos de sensibilidades e experiências diferentes, junta-nos neste apelo [o facto de] partilharmos os valores essenciais da esquerda em nome dessa exigência. É tempo de buscar os diálogos abertos e o sentido de responsabilidade democrática que têm de se impor contra o pensamento único, a injustiça e a desigualdade», lê-se no apelo.

Para os subscritores deste apelo, «34 anos volvidos [do 25 de Abril], apesar do muito que Portugal mudou, o ambiente não é propriamente de festa. Novas e gritantes desigualdades, cerca de dois milhões de portugueses em risco de pobreza, aumento do desemprego e da precariedade, deficiências em serviços públicos essenciais como na saúde e educação», apontam os promotores da manifestação no seu diagnóstico sobre a sociedade portuguesa.

Ainda de acordo com os subscritores do manifesto, «a corrupção e a promiscuidade entre diferentes poderes criaram no país um clima de suspeição que mina a confiança no Estado democrático. Numa democracia moderna, os direitos políticos são inseparáveis dos direitos sociais. Se estes recuam, a democracia fica diminuída», advertem.

Da parte dos socialistas, além de Manuel Alegre, subscrevem o documento os fundadores do PS José Neves, Carolina Titto de Morais, o primeiro líder da JS e ex-deputado José Leitão, o resistente anti-fascista Edmundo Pedro, a deputada Teresa Alegre e o ex-dirigente Joaquim Sarmento.

Pelo lado do Bloco de Esquerda, o apelo é assinado por Francisco Louçã, Luís Fazenda, Mariana Aiveca, João Teixeira Lopes, João Semedo, José Manuel Pureza, entre outros.

Em relação aos membros da Renovação Comunista estão no manifesto Carlos Brito, Paulo Sucena, Cipriano Justo, Carreira Marques, Paulo Fidalgo (actual porta-voz).

Apoiam ainda o manifesto a vereadora em Lisboa do Movimento de Cidadãos, Helena Roseta; nomes da música como o de António Manuel Ribeiro (UHF) ou de Pacman (ex-mandatário da candidatura de Alegre a Presidente da República); assim como vários professores universitários, casos de Abílio Hernandez, António Nóvoa, Carlos Sá Furtado, Cláudio Torres, o ex-secretário de Estado José Reis, Jorge Bateira e Jorge Leite e Luís Moita.