A economia portuguesa deverá registar um crescimento de 0,8% em 2014, indicou hoje o departamento de research do BBVA, que revê em baixa as previsões anteriores para este ano, de 1,2%.

«Para o ano de 2014 como um todo, o efeito de arrastamento da queda abruta no primeiro trimestre leva-nos a rever em baixa as nossas previsões de crescimento para 0,8% (de 1,2%)», indica o banco. Já para 2015, o BBVA revê em alta as previsões de evolução do PIB, de 1,5% para 1,6%.

O PIB português registou uma descida de 0,6% no primeiro trimestre de 2014, face ao último trimestre de 2013, que o BBVA atribui a «fatores na sua maior parte temporários».

Em primeiro lugar, uma queda marcante do investimento nos primeiros meses do ano, «especialmente devido à estagnação do setor da construção como resultado das más condições meteorológicas».

Por outro lado, uma «forte contração» na exportação portuguesa de produtos petrolíferos refinados, devido a uma pausa na atividade da refinaria entre fevereiro e abril, com impacto nas exportações como um todo.

As trocas comerciais com o exterior deverão ser aliás «o principal motor de crescimento no segundo trimestre de 2014», período para o qual o BBVA estima um crescimento de 0,4%, face ao trimestre anterior.

O banco sublinha que «as exportações de bens continuam fracas, mas a forte subida na exportação de serviços, nomeadamente turismo, e a estagnação das importações, deverá resultar em exportações líquidas positivas».

Olhando além da crise do BES, que os autores do estudo não esperam «que tenha um impacto significativo ao nível macroeconómico», estes preveem que a recuperação da economia portuguesa será rápida, devendo «ganhar força na segunda metade deste ano».

Para 2015, os autores do estudo revêm o crescimento previsto em alta, de 1,5% para 1,6%, e afirmam que «a procura interna irá ter um papel de liderança nessa recuperação».

«Esperamos que o consumo privado cresça gradualmente em 2014 e 2015 (0,9% e 1,3% em termos homólogos, respetivamente)», indicam, acrescentando que essa melhoria será alimentada «por um mercado de emprego a melhorar, confiança dos agregados familiares e baixa inflação».

O BBVA prevê ainda que o investimento continuará a recuperar (1,1% em 2014 e 3,6% em 2015), «mas num ritmo menor do que o inicialmente previsto, devido aos números abaixo do esperado no primeiro trimestre de 2014 e ao enfraquecimento das exportações». Em termos líquidos, as vendas ao estrangeiro terão aliás «uma contribuição negativa para o crescimento em 2014 e positiva mas limitada em 2015», devido ao forte aumento das importações que é esperado (4,6% em 2014r e 4,7% em 2015).

Por fim, o banco conclui que o investimento público é o único fator que irá continuar a contrair-se em 2014 e 2015, com descidas respetivas de 0,9% e 1,4%, «afetado pelas restrições orçamentais do Governo».