O primeiro-ministro avisou esta quarta-feira que, apesar de os sinais dados pela economia nacional parecerem melhor do que se previa, isso não significa que vá abrandar o esforço de consolidação orçamental. Ou seja, não haverá baixas de impostos e a prioridade continuará a ser o corte da despesa.

O caminho que resta a quem reconhece que já não há privatizações que se possam fazer nem há espaço para aumentar os impostos. «Não é crível que possamos vender muito mais ativos públicos, não é crível que consigamos ou pudéssemos ser bem-sucedidos aumentando mais os impostos, porque o nível da carga fiscal já é muito elevada, não podemos senão atuar do lado das despesas, quando falo do Estado», afirmou.

«Toda a economia privada tem vindo a fazer um ajustamento muito bem-sucedido, e o próprio Estado tem vindo a fazer o seu ajustamento, mas precisa de o levar mais longe, o que significa não apenas conter a despesa para os anos futuros, mas também levar mais longe as reformas», acrescentou.

O primeiro-ministro acredita que o Governo poderá apresentar a sua orientação sobre a reforma do Estado, que está a ser preparada pelo vice-primeiro-ministro, aos parceiros sociais, ainda este mês, para ser discutida.

«Todas essas reformas estão ou em curso, ou a ser preparadas, e precisam de ter uma orientação que o vice primeiro-ministro, Paulo Portas ficou de apresentar, e estou convencido que não concluiremos este mês sem a poder debater no governo e apresentar ao conjunto dos parceiros sociais», afirmou Pedro Passos Coelho esta quarta-feira em Oliveira do Bairro.

«Já começámos a reformar estruturalmente o Estado quando mexemos na Justiça. Finalmente, a partir deste ano, temos um conjunto de alterações que nos permitem pensar que a justiça terá uma reforma de fundo muito importante, que ajudará à economia e a maior justiça na sociedade», adicionou.

«Há vários diplomas em preparação no governo que permitem qualificar melhor os nossos recursos humanos e evitar redundâncias desnecessárias, fazer mais fusões de instituições, ao nível público, que as tornem mais eficientes, dar maior sustentabilidade ao nosso sistema de pensões, nomeadamente das pensões públicas, que vêm apresentando um défice estrutural muito alargado que depois tem de ser suportado pelos impostos», concluiu.