A UNITA admite ter existido vontade do partido em estabelecer negociações com Vale e Azevedo, mas sublinha que «não passou de intenções» a alegada entrega de um milhão de dólares ao ex-presidente do Benfica, noticiada pelo «Correio da Manhã».

Portugal e Angola: «Há muito a fazer»

Segundo o diário português, o montante de um milhão de dólares da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) entrou na conta de Vale e Azevedo no Lloyds Bank de Londres, em 15 de Maio do ano passado, referente à parte que alegadamente caberia ao partido angolano num negócio relacionado com um projecto de biocombustíveis em Angola no valor de 50 milhões de dólares.

O jornal acrescenta que ficou a faltar ao ex-presidente do Benfica, aplicar em Angola, até 15 de Junho, a primeira parcela de 50 milhões de dólares que dizia ter disponíveis para investir naquele país.

Em declarações à Lusa, Alcides Sakala, responsável pelas relações internacionais da UNITA, admite que a intenção de participar no investimento existiu e envolveu dirigentes do maior partido de oposição angolano, sem confirmar se foi o presidente Isaías Samakuva que liderou as conversações.

Sakala diz que não avança mais comentários sobre o assunto para «não prejudica» o processo que decorre em tribunal.

Ainda em declarações à agência, em Luanda, Alcides Sakala explica que a intenção de participar no negócio tinha apenas como pressuposto a «dimensão social», porque se «perspectivava» a criação de muitos postos de trabalho no país.