Reutilização das sobras de água dos congressos para rega, descontos até 25 por cento, oferta de massagens e encerramento de piscinas aquecidas na época baixa são fórmulas criativas dos hoteleiros de luxo algarvios para contornar a crise.

Para enfrentar a crise económica e financeira mundial, a maioria dos hotéis de luxo do Algarve desdobra-se em criatividade para pôr em prática fórmulas de garantir clientes ao longo do ano e de poupar energia e recursos naturais para a factura ser menor.

Hotéis de luxo já pensam em suspender serviços

De acordo com a agência Lusa, no Hotel Hilton «As Cascatas Golf Resort», em Vilamoura, uma das acções de sucesso são os descontos para reservas antecipadas (early booking) ou combinados com redução de preços e up-grades nos quarto oferecendo meia pensão em vez do simples pequeno-almoço.

Com os turistas britânicos os early booking têm «resultado imenso», disse Michael Borges, chefe de vendas do Hilton, referindo que esta foi a forma de assegurar muitas reservas para o Verão de 2009.

Pacotes de sete noites para golfistas com oferta de pequeno-almoços, um jantar especial, três partidas por dia e um caddy ou buggy gratuitos são outros exemplos de pacotes especiais do grupo Hilton.

Corte nos custos é prioridade

Além de acções dirigidas ao consumidor final, os hotéis de cinco estrelas viram-se também cada vez mais para a contenção de despesas dentro das próprias unidades.

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O Hilton, por exemplo, está reutilizar a água que sobra de congressos e conferências para a rega de plantas, disse Michael Borges, referindo que além da poupança de custos o hotel está também a ser amigo do ambiente.

«Há gastos de electricidade com as cascatas, e por vezes em épocas baixas desligamos as bombas de água para poupar electricidade», acrescentou.

No Hotel Lake Resort & Spa, a gestão tenta controlar os custos diminuindo o número de restaurantes abertos ou de piscinas aquecidas a funcionar nas épocas mais baixas.

Esta é uma crise diferente das outras

O presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), Elidérico Viegas, disse à agência Lusa, que se está a viver uma «crise de ricos» comprovada com a diminuição da procura junto dos hotéis de cinco estrelas pelos turistas.

Em Dezembro de 2008, a AHETA anunciava que o Algarve registou em 2008 quebras de 5,7 por cento face ao ano de 2007 e que a perspectiva para 2009 era que a procura de hotéis iria continuar a baixar.

«As unidades hoteleiras de categoria superior são as que apresentam maior descida, o que demonstra que esta crise é atípica, porque normalmente as unidades de categoria mais baixa é que são as mais afectadas. Esta não é uma crise idêntica às outras», considerou Elidérico Viegas.