O Fundo Monetário Internacional (FMI) admite rever em baixa as previsões para a economia mundial em 2009.

O director do Departamento do Hemisfério Ocidental do Fundo, Nicolás Eyzaguirre, considerou esta segunda-feira que o pior da crise ainda está para vir. «É possível que o FMI reduza mais em baixa a sua previsto em relação ao crescimento mundial, inclusivamente para um valor abaixo de zero», afirmou, alertando para a incerteza e para as tensões que continuam a ensombrar o panorama financeiro.

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Sistema financeiro longe de estar são

Os ministros da Economia ibero-americanos estão reunidos no Porto para analisar a crise financeira e tentar encontrar uma posição comum para apresentar na cimeira do G20. À saída da reunião, Eyzaguirre descreveu a crise como sendo «muito grave e verdadeiramente globalizada», sendo já visíveis os sinais no «colapso do comércio internacional e da produção industrial de todo o mundo», bem como na contracção económica registada por muitos países já no quarto trimestre de 2008.

Primeiro trimestre de 2009 será ainda pior

Os indicadores avançados para os primeiros três meses deste ano também não deixam maior optimismo no ar, sendo piores do que se previa, pelo que «não podemos dizer que a situação está a melhorar. Muito pelo contrário», afirmou o director do FMI.

Uma das propostas apresentadas, dado que a aplicação de medidas fiscais e monetárias anti-cíclicas é bem vinda, é que o FMI poderia desempenhar a «importante função de monitorizar os esforços feitos à escala mundial e assessorar os países sobre o limite até ao qual podem e devem chegar».

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Para o responsável, há que dissipar os receios em torno dos recursos do FMI e, para isso, há que dotar a entidade de mais recursos financeiros, o quanto antes. O primeiro passo seria duplicar a capacidade de financiamento do Fundo.

Regulação tem de ser mais ampla e abranger mais actividades

O responsável defendeu ainda a necessidade de se ampliar o alcance da regulação dos mercados financeiros, de forma a incluir todas as actividades que traduzam um risco para a economia.

No mínimo, temos de ampliar a gama de entidades e actividades financeiras que estão sujeitas a requisitos de prestação de informações e, nalguns casos, teremos mesmo de ir mais longe, fixando limites regulatórios novos ou complementares».