Portugal deve crescer só 1,2% em 2021. De acordo com as previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI) a economia portuguesa, que o fundo espera que cresça 1% este ano e 1,1% em 2017, não conseguirá descolar nos próximos quatro anos.

As previsões constam do “World Economic Outlook October 2016”, divulgado hoje.

E as razões para tão baixo crescimento estão, em parte, ligadas com o facto de Portugal ser um dos países “onde tanto a procura interna como o investimento continuam abaixo do nível do período pré-crise”. E mesmo o desemprego continua elevado, diz o FMI.

Más notícias também no que toca à evolução da balança de transações correntes que inclui a balança comercial. A previsão do FMI é que fique com um saldo negativo já em 2017, de 0,7%, e passe para os 1,6 negativos em 2021. Um sinal claro de que o saldo da balança comercial portuguesa tenderá a deteriora-se. Uma situação que, de acordo com o FMI, também reflete as diferenças da procura doméstica em cada país, concretamente, para países onde Portugal exporta muito.

A banca também não escapa à análise do Fundo. Com os juros globalmente baixos “é expetável que a rentabilidade da banca assim permaneça”, por um período de maior de tempo – que o inicialmente esperado - o que levanta preocupações em alguns países “com sistemas bancários mais vulneráveis, como a Itália e Portugal”.

Em resposta a uma inflação “persistentemente fraca e sem brilho” os mercados esperam que os bancos centrais mantenham as suas políticas de estímulos económicos, por mais tempo que o inicialmente previsto. Por isso, a instituição liderada por Christine Lagarde espera agora que só os Estados Unidos subam as taxas de juros ainda este ano.

Para Portugal, a estimativa de subida dos preços é de 1,8% em 2021, face aos 0,7% deste ano e aos 1,1% de 2017.

Fraco crescimento interno, reduzido investimento, exportações a abrandarem mais que as importações e uma banca vulnerável parece uma fórmula complicada para um país que ambiciona crescimento económico. Uma ambição para a qual em nada 

contribui a questão demográfica. O FMI aponta Portugal como um dos países onde a taxa de crescimento da população e a população em idade de trabalhar mais caíram.

O endividamento também vai continuar a crescer, de famílias e empresas - tanto nos Estados Unidos como na zona euro. E também aqui o FMI deixa uma nota para Portugal, que se encontra “entre os países mais pressionados”, acima da média, em matéria da vulnerabilidade do crédito à habitação.

Crescimento mundial também é débil

Em termos globais, o FMI refere que é expetável que o crescimento se mantenha nos modestos 3,1% em 2016, ligeiramente mais fraco que na previsão de abril. A nova previsão incorpora uma atividade um pouco mais fraca do que o esperado no segundo trimestre de 2016, nas economias avançadas. Bem como as implicações do referendo no Reino Unido que vai culminar com a saída do país União Europeia.

“A recuperação deverá ter mais ritmo em 2017, impulsionada, principalmente, pelos mercados emergentes e as economias em desenvolvimento, à medida que as condições nas economias mas stressadas, gradualmente, normalizam”.