A candidatura Livre/Tempo de Avançar defendeu o governo alemão e a liderança da Zona Euro quiseram, com o acordo grego, enviar a mensagem de que "toda a dissidência será castigada" e alerta para "risco de desintegração europeia".

"Do que se conhece, pode concluir-se que a Grécia é obrigada a aceitar mais austeridade em cima de uma depressão causada pela austeridade, contra a promessa de uma reestruturação da dívida no futuro. Desta forma, o governo alemão e a liderança da Zona Euro quiseram enviar uma mensagem a todos os povos da Europa: toda a dissidência será castigada", veiculou a candidatura em comunicado.


Na nota em que consideram que há um "risco de desintegração europeia que a brutalidade exercida sobre a Grécia pode gerar", a candidatura reafirma a sua "solidariedade com as escolhas do povo grego e do seu Governo legítimo".

Para o Livre/Tempo de Avançar, "o que aconteceu ontem [domingo] foi uma tentativa cruel de consumar uma refundação ilegítima, antidemocrática e violenta da Zona Euro e, evidentemente, da União Europeia", em que "as regras punitivas, limitadoras da democracia e destruidoras da economia europeia passam a ocupar todo o espaço, servindo apenas alguns países (talvez um só país)".

"Com uma economia desfeita, sem capacidade para criar riqueza e emprego, sujeito a uma dívida asfixiadora, Portugal é um elo fraco, que se seguirá à Grécia como objeto da sanha punitiva que grassa entre os que detêm o poder de mando. O governo português, cúmplice e calado, não se limita a pisar os terrenos da inação e da incapacidade - pisa os terrenos da traição, da entrega do país, sem visão nem honra, a quem o amesquinhará", argumentam.

"Com as posições ouvidas na cimeira da Zona Euro, ficamos a saber como seremos sujeitos ao apoucamento da economia e das nossas vidas. A denúncia da posição do governo português tem, pois, de ser feita de imediato", acrescentam.

Para o Livre/Tempo de Avançar, "o governo grego foi posto perante uma escolha trágica entre uma saída do euro, com consequências incalculáveis para o seu povo e a União Europeia, e um novo resgate, com condições duríssimas" e "escolheu o novo resgate e comprometeu-se a submeter a respetiva proposta ao Parlamento".

"É também claro que não basta hoje manifestar solidariedade com a Grécia ou declarar que se quer uma União Europeia capaz e digna, que assuma as responsabilidades que o projeto europeu estabeleceu no passado. Não é já de posições de princípio que se trata. É urgente que todo o país declare que a linha vermelha foi pisada e que se exprima com clareza a denúncia, a recusa, a urgente reversão do caminho trágico e persistentemente perigoso em que a União Europeia entrou", afirmam.


"Hoje os europeus já são todos gregos, tal o desastre para que os que dominam a Europa os querem conduzir", sublinham.

Para o Livre/Tempo de Avançar, "a missão imediata de todos os portugueses que se opõem à austeridade é garantir que o governo português deixa de ser um aliado do governo alemão e que passa a reforçar o campo dos que lutam por uma Europa de democracia, solidariedade e desenvolvimento", cita a Lusa.

Após 17 horas de negociações, os chefes de Estado e de Governo da zona euro concluíram hoje de manhã um acordo para negociar um terceiro plano de resgate com a Grécia.