As chamadas políticas eleitoralistas, traduzidas num aumento da despesa municipal antes de eleições, são «normalmente recompensadas» através de uma maior margem de vitória face ao principal partido da oposição, conclui um estudo da Universidade do Minho (Uminho).

Desenvolvido pela Escola de Economia e Gestão da UMinho, o mesmo estudo revela também que os autarcas recandidatos que preveem uma eleição mais renhida tendem a ser «mais eleitoralistas» do que os que praticamente têm a vitória garantida.

«Quanto menor é a esperança de vencer as eleições, maior é o incentivo para manipulações oportunistas das políticas económicas», sublinha.

O estudo foi desenvolvido por Linda Veiga e Francisco Veiga, ambos da UMinho, e Toke Aidt, da Universidade de Cambridge, Reino Unido, que analisaram dados de todos os municípios de Portugal continental nos últimos 30 anos.

Aqueles dois investigadores da UMinho já tinham desenvolvido um outro estudo em que foram avaliadas as despesas de 278 concelhos nas campanhas eleitorais de 1979 a 2006.

«Os governos locais tendem a aumentar as despesas antes das eleições, sobretudo em itens mais visíveis pelos cidadãos», realçou Francisco Veiga.

Os gastos com viadutos, arruamentos e viação rural são os mais frequentes.

«Este comportamento visa mostrar a competência do autarca, de forma a aumentar a probabilidade de ganhar as eleições, mas pode, também, gerar ineficiência na afetação de recursos e acumulação de dívida, com efeitos negativos a longo prazo», afirmou.