O vereador da oposição na Câmara de Vila Viçosa Inácio Esperança criticou, nesta quarta-feira, a gestão CDU por alegadamente ter cedido, de forma gratuita, um autocarro para o transporte de funcionários do município para a manifestação da CGTP.

"É escandaloso. O transporte do município é de todos os munícipes, não é só dos munícipes da CDU e é pago com o dinheiro dos contribuintes", afirmou à agência Lusa Inácio Esperança, eleito vereador nas últimas autárquicas pelo Movimento de Unidade do Concelho (MUC).

O presidente da câmara, o comunista Manuel Condenado, numa resposta por email a questões colocadas pela Lusa, afirmou apenas que "o executivo, no atual mandato, cedeu e continuará a ceder viaturas do município, sempre que estejam disponíveis, à estrutura sindical dos trabalhadores para se deslocarem a manifestações ou outras iniciativas a fim de defenderem os seus direitos laborais".

O vereador da oposição adiantou que a cedência gratuita de transporte para a manifestação da CGTP, na terça-feira, em frente à Assembleia da República, em Lisboa, foi aprovada pela maioria CDU, com os votos contra dos vereadores do PS e do MUC.

Além da cedência de um autocarro, segundo Inácio Esperança, a câmara decidiu que "o dia será pago" a todos os funcionários do município que quiseram participar na manifestação, "inclusive o subsídio de refeição e de turno".

"Já não é a primeira vez que isto acontece. Sempre que a CGTP tem manifestações contra o Governo, em Lisboa, os funcionários da câmara são dispensados, sem perda de regalias, e o transporte é disponibilizado gratuitamente", assinalou.

O vereador referiu, por outro lado, que a câmara "dá duas deslocações por ano" às associações do concelho e "exige o pagamento" nas restantes e que "não queria dar transporte escolar nas tardes de segunda, terça, quinta e sexta-feira" para as crianças da escola da aldeia de São Romão.

"As pessoas devem ter o direito a manifestar-se e existe na lei o direito à manifestação e à greve, pois que façam, mas que a CGTP pague os autocarros e não que paguem todos para que alguns se manifestem", realçou.