O PS de Vila Verde acusou a Câmara local de «censura» a um deputado municipal socialista, por ter apagado o comentário que deixou na página oficial do município no Facebook e o ter «bloqueado».

Contactada pela Lusa, fonte municipal disse que aquela página está disponível para acolher todos os contributos «colocados de forma construtiva», sublinhando, no entanto, que, por se tratar de um «espaço oficial», não permitirá que seja transformada num «espetáculo de escárnio e maldizer».

Segundo um comunicado do PS, em causa está um comentário que o deputado municipal Júlio Zamith deixou à mensagem de ano novo do presidente da Câmara, António Vilela (PSD).

O PS garante que Júlio Zamith apenas «pedia mais atenção para a questão do emprego», apontando a António Vilela que fim do ano 2013 «ficou manchado pelos despedimentos da empresa municipal Proviver».

O comentário seria apagado e Júlio Zamith «bloqueado», ficando assim impedido de entrar na página do município.

O PS diz que Zamith telefonou ao presidente da Câmara e que este alegou não estar ao corrente do sucedido, explicando que a gestão do Facebook é feita pelo Gabinete da Presidência.

No entanto, acrescenta o PS, o chefe do Gabinete da Presidência também negou ter conhecimento do sucedido e assegurou que não está a gerir a página do município.

«Indignado não só com a censura de que foi alvo, mas também com o comportamento antidemocrático e de ocultação da verdade, o deputado municipal procedeu hoje ao registo da ocorrência no livro de reclamações do Município de Vila Verde», lê-se no comunicado do PS.

Acrescenta que Zamith entregou uma cópia da queixa ao chefe do Gabinete da Presidência, mas este «inicialmente não queria receber os documentos» e depois «tentou expulsar o deputado do seu gabinete e acabou por rasgar à sua frente» aquele documento.

«O deputado em questão continua bloqueado e, ao que conseguimos apurar, não é o único deputado municipal nessa situação, já que existem vários munícipes e pelo menos mais um deputado municipal censurados», remata o PS.

A fonte municipal escusou-se a revelar de quem foi a iniciativa de apagar o comentário do deputado Júlio Zamith e de bloquear o seu acesso à página.

A Lusa tentou ouvir o presidente da Câmara, mas ainda não foi possível.