O secretário-geral do PS considerou hoje que o Governo ficou «incomodado» com a divulgação pública das propostas programáticas socialistas e sustentou que a «onda de mudança» ultrapassa à esquerda e à direita as fronteiras do seu partido.

António José Seguro falava no encerramento do comício do PS, no Porto, na Praça Dom João I, um dia depois de ter anunciado na Convenção «Novo Rumo para Portugal» as propostas socialistas constantes no «Contrato de Confiança», documento que contém as bases programáticas de um futuro executivo socialista.

«O Governo, que andou três anos a chumbar todas as propostas do PS, perante a nossa divulgação de um programa, ficou incomodado por perceber que há uma alternativa. Mas ficou ainda mais incomodado porque nós colocámos as nossas propostas com coragem à disposição dos portugueses, enquanto eles continuam com propostas escondidas prevendo mais cortes e mais despedimentos», afirmou, recebendo muitas palmas.

Procurando fazer um contraste entre a atuação política do seu partido e a conduta das forças do Governo, António José Seguro advogou que as propostas do PS «são claras, estando à disposição dos portugueses, enquanto as propostas do Governo continuam escondidas».

«Por isso eles não divulgam a carta que vão escrever ao FMI [Fundo Monetário Internacional], porque nessa carta - e no espírito do Governo - estão para vir mais despedimentos, mais cortes nas pensões e mais sacrifícios. Eles querem enganar os portugueses como têm enganado ao longo destes três anos», atacou.

A partir da Convenção «Novo Rumo para Portugal», no sábado, em Lisboa, o secretário-geral socialista pretendeu transmitir a ideia de que o seu partido está a crescer tanto à sua esquerda como à sua direita.

Seguro deu então como exemplos os apoios manifestados ao PS pelo ex-ministro e antigo secretário-geral do PSD António Capucho, pela ex-dirigente do Bloco de Esquerda Joana Amaral Dias, e pelo antigo líder parlamentar do PCP, atual membro da Renovação Comunista, Carlos Brito.

«Um cidadão disse-me agora que, pela primeira vez, vai dar o seu voto ao PS. Como esse cidadão há milhares de portugueses», disse o líder socialista.

«Este projeto de mudança está a fazer o seu caminho, já não cabe nas fronteiras do PS e o PS orgulha-se que assim seja, porque aquilo que é preciso fazer em Portugal é tão profundo e tão intenso que precisa do contributo de todos os portugueses», concluiu.

Na parte final da sua intervenção, António José Seguro voltou a fazer um apelo contra a abstenção e a favor do voto útil no PS.

«Não basta votar contra o Governo. É preciso derrotar o Governo e só o PS poderá derrotar o Governo», defendeu.