O secretário-geral do PS defendeu esta terça-feira que os socialistas têm uma visão realista, que resiste ao populismo, estando nesse sentido disponível para apoiar uma reforma do IRC que beneficie o emprego e as pequenas e médias empresas.



António José Seguro falava no início do jantar de Natal do Grupo Parlamentar do PS, na Assembleia da República, após uma primeira breve intervenção do líder da bancada socialista, Alberto Martins.



O secretário-geral do PS traçou uma linha de demarcação face às restantes forças políticas de oposição ao Governo, sustentando que os socialistas não se podem ficar pelo protesto e que a sua principal responsabilidade é apresentar como se faz diferente do Governo.

«Responsabilidade e alternativa», sintetizou o líder socialista, para depois enumerar uma série de questões em que o PS se opôs de forma total ao Governo: introdução da regra de ouro na Constituição europeia; privatização da RTP e criação de uma comissão parlamentar para «desmantelar» o Estado social.



No entanto, de acordo com o secretário-geral do PS, os socialistas «não têm qualquer preconceito em dizer sim quando tal serve o interesse nacional, porque é isso, na sua perspetiva, que faz a diferença de um partido construtivo que ambiciona governar».



«Aqui mora gente que tem os pés assentes na terra, mora gente que tem uma visão realista do país», disse, referindo depois que o PS apoiou o Tratado Orçamental da União Europeia.



Da mesma forma, segundo Seguro, se os valores e princípios do PS forem defendidos, não haverá problema em apoiar a criação de emprego reduzindo a taxa de IRC às pequenas e médias empresas.



«As pequenas e médias empresas ocupam mais de 75 por cento do emprego e ocupam mais de 90 por cento do tecido empresarial. A nossa responsabilidade é defender as pequenas e médias empresas. Por isso, nunca poderíamos aceitar

alterações do IRC que privilegiassem as muitas grandes empresas do país», advertiu.



Seguro reiterou a tese de que uma baixa generalizada da taxa de IRC sem alteração de outras taxas privilegiaria as grandes empresas e apontou que as empresas do PSI20, por essa lógica do Governo, poupariam cem milhões de euros por ano em impostos.



Ainda em defesa do «sentido de responsabilidade» do PS, o secretário-geral socialista defendeu a tese de que «mais tarde ou mais cedo» os portugueses reconhecem que o seu partido faz as opções certas.



«Por vezes esse caminho foi tão incompreendido, mas devemos prosseguir. Ao contrário do que alguns dizem, para mim, a coerência em política compensa. Podemos não brilhar todos os dias, mas temos a certeza de estar a fazer aquilo que é adequado para resolver os problemas do país», acrescentou.



Na sua intervenção, o secretário-geral do PS deixou votos de recuperação de saúde a dois deputados socialistas, Jacinto Serrão e Manuel Seabra, destacou o ex-líder parlamentar Carlos Zorrinho e o atual presidente da bancada Alberto Martins.