Adriano Moreira diz que o relatório do FMI «põe em dúvida mais uma vez as previsões e os anúncios do Governo». Em entrevista à TVI24, nesta quarta-feira, o fundador do CDS teme, por isso, que a continuação da austeridade acabe com a paz social.

«Ligo grande importância às manifestações não enquadradas, porque grandes acontecimentos começaram com manifestações não enquadradas», afirmou, considerando que «a fadiga tributária foi atingida».



«Há muitos sinais inquietantes sobre a relação de confiança entre políticos e cidadãos», acrescentou.

Adriano Moreira considerou mesmo inaceitável a forma como têm sido aplicados os cortes nos salários e nas pensões. «É um milagre do Governo: uma pessoa pode deitar-se nova e acordar velha, e o contrário. É uma coisa que tem sido tratada de uma maneira inaceitável. Aquilo que faz uma Nação é ser uma comunidade de afetos. E não serve a unidade nacional dividir a Nação pondo velhos contra novos, funcionários públicos contra privados. Não é maneira de manter a comunidade de afetos», defendeu.

Sobre a reforma do Estado, que está em cima da mesa, o fundador do CDS entende que o enfoque está no sítio errado. «Tem de começar pela estrutura do poder. Trata-se de reformar a gestão do Estado. E, para começar, cada partido tinha de se reformar a si próprio. Olhamos para o PSD e encontramos alguma social-democracia na política que a troika impõe? Não encontramos!», argumentou.

Fora de hipótese para Adriano Moreira está o regresso à vida política ativa, como aconteceu com Mário Soares. «Tenho respeito por muitas coisas que o Dr. Soares fez no passado. Vejo que foi um combatente e parece que tenciona morrer a combater. Cada um tem as suas opções», argumentou o fundador do CDS, que já recusou participar num congresso que está a ser organizado pelo histórico socialista.