O antigo líder do PSD Luís Marques Mendes defendeu domingo à noite a antecipação do congresso do partido por uma questão de clarificação e eventualmente para renovar algumas caras.

«Julgo que o congresso do partido, que em circunstâncias normais se fará em abril ou maio do próximo ano, devia ser antecipado, Pedro Passos Coelho tem vantagem nisso», afirmou Marques Mendes na SIC-Notícias.

Ressalvando que não se trata de um problema de liderança, Marques Mendes preconizou uma «clarificação» e, eventualmente, a renovação de algumas caras.

No seu comentário à derrota do PSD nas eleições autárquicas de domingo, o antigo líder 'laranja' antecipou consequências políticas a dois níveis: no partido e no Governo.

No partido, referiu, vai existir alguma «turbulência», discussão, «inevitáveis acusações» e «algumas caças às bruxas», assim como «acusações que a direção não geriu bem vários casos», nomeadamente Vila Nova de Gaia, Portalegre, Sintra e a questão da coligação no Porto.

Quanto às consequências para o Governo, Marques Mendes considerou que o executivo liderado por Pedro Passos Coelho «mantém a mesma legitimidade, mas vai perder evidentemente alguma autoridade e vai perder força».

O PSD tem agendado para terça-feira reuniões dos principais órgãos do partido, começando com um encontro da comissão permanente, depois da comissão política nacional e terminando, à noite, com uma reunião do conselho nacional, o órgão máximo dos sociais-democratas entre congressos.

Antes de Marques Mendes, também o ex-dirigente do PSD José Luís Arnaut defendeu, em declarações à Lusa, a antecipação do congresso do PSD.