O líder parlamentar do PSD acusou hoje o PS de estar a ser «intransigente» no seu «isolamento político», reiterando que os sociais-democratas estão disponíveis e interessados em acolher os contributos do partido para a reforma do Estado.

«Fizemos várias tentativas de acolher e integrar as propostas do PS relativamente à metodologia do parlamento para discutir esta matéria. A grande verdade é que o PS tem sido intransigente a afirmar o seu isolamento político. É uma posição legítima do PS mas é de todo em todo lamentável», declarou Luís Montenegro aos jornalistas no parlamento, no final da aprovação na generalidade do Orçamento do Estado (OE) para 2014.

Reiterando que o PSD está «absolutamente disponível e interessado em colher os contributos do PS», Montenegro diz não querer acreditar que o PS, partido que aspira a ser Governo, não diga o que pensa sobre o futuro do Estado.

«Não quero acreditar que um partido político e uma liderança política que se querem apresentar a eleições como alternativa ao Governo em funções o possam fazer sem dizer o que pensam sobre o futuro do Estado», sustentou o parlamentar social-democrata.

De manhã, o deputado do PS Miguel Laranjeiro remeteu qualquer debate sobre a reforma do Estado para a sede parlamentar afirmando esperar «propostas concretas» do Governo e reiterou que recusa integrar a comissão eventual criada em janeiro.

«Se estamos a falar de medidas concretas, o Governo tem de as concretizar em proposta de lei, ou o PSD em projetos de lei. O PS estará disponível para as debater em sede parlamentar, que é a casa da democracia e o sítio mais transparente para o fazer», afirmou.

O deputado falava aos jornalistas no parlamento, após ter sido divulgada a resposta oficial do partido ao PSD, que voltou hoje a convidar os socialistas para uma reunião de trabalho sobre a reforma do Estado após a conclusão do debate orçamental.

«Todos os debates podem e devem ser feitos, em sede parlamentar», disse Laranjeiro, secretário nacional do partido para a organização e autor da missiva em que recusou o convite do PSD.

Questionado sobre se a «sede parlamentar» que referiu incluía a comissão eventual criada em janeiro no Parlamento para debater a reforma do Estado, o deputado respondeu que «há doze comissões parlamentares sobre todas as áreas» e que «não é preciso outra comissão».