O PS acusa o Governo de teimar numa «agenda secreta» e exige que sejam revelados os cortes decididos segunda-feira em Conselho de Ministros, defendendo que já foram transmitidos aos parceiros europeus.

«O Governo deve dizer de imediato o que ficou decidido no Conselho de Ministros de ontem. O Governo tem obrigação de dizer aos portugueses o que a ministra das Finanças foi dizer aos parceiros europeus, porque é a vida dos portugueses que está em causa. O Governo tem de anunciar de uma vez por todas quais são os cortes prometidos como provisórios que quer tornar definitivos», afirmou o secretário nacional do PS, António Galamba, numa conferência de imprensa na sede do partido, citado pela Lusa.

Galamba diz que, apesar de nada se saber em Portugal da reunião de cinco horas do Conselho de Ministros, na segunda-feira, ela tinha como objetivo permitir que Maria Luís Albuquerque fosse hoje a Atenas, onde decorreu uma reunião dos ministros das Finanças da zona euro, «com o resultado da discussão sobre o Documento de Orientação Estratégica e as linhas de orientação para aplicar mais cortes aos portugueses».

«O Governo decidiu, escondeu dos portugueses, mas os ministros do Eurogrupo já sabem o que foi decidido. O Governo teima nesta agenda secreta em que esconde dos portugueses os cortes que aí vêm», defendeu, Insistindo que os portugueses «merecem respeito», António Galamba disse não ser admissível que por «qualquer cálculo político ou eleitoral» o executivo de maioria PSD/CDS-PP mantenha escondida a sua «agenda de cortes».

«Os portugueses não podem ser uma mera variável de ajustamento do programa», vincou, acusando o Governo de atuar exclusivamente com os olhos postos nos credores internacionais, ignorando os números do desemprego e da pobreza.

A propósito dos números do desemprego hoje divulgados pelo Eurostat, que apontam para a manutenção em fevereiro da taxa de desemprego nos 15,3%, pelo terceiro mês consecutivo, o secretário nacional do PS ressalvou que «há dimensões» que continuam a aumentar e que os números agora conhecidos «sublinham mais uma vez que as opções políticas que têm sido conduzidas pelo Governo em Portugal, mas também na União Europeia, não têm sido na linha que deveriam ser».