O candidato do Partido Popular Europeu (PPE) à presidência da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, disse que Portugal fez «um excelente trabalho» e que os resultados vão chegar à vida das pessoas.

«Desde o programa de resgate, Portugal fez um excelente trabalho, conseguiu uma saída limpa, e isso é muito impressionante. Outros na Europa admiram Portugal e os portugueses porque sabem que este plano de resgate teve como consequência duros sacrifícios pagos pela população, em geral, e pelos mais fracos», afirmou Jean-Claude Juncker.

O candidato do PPE à presidência da Comissão falava aos jornalistas no final de uma visita a uma fábrica de massas alimentares, cereais e bolachas, na Maia, acompanhado pelo cabeça de lista da Aliança Portugal, Paulo Rangel, e pelo primeiro candidato do CDS-PP, Nuno Melo.

Na comitiva, seguiam também o ex-presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, e o presidente do Conselho Económico e Social (CES), Silva Peneda, entre outros.

«Penso que Portugal está no bom caminho, voltou a conseguiu acesso aos mercados financeiros. Isto não ajuda os desempregados logo no primeiro segundo, mas acredito que a situação vai melhorar», considerou Juncker.

O antigo primeiro-ministro luxemburguês lembrou que nunca dá conselhos a outros governos «na forma de recomendações públicas», além de que «Portugal está a sair-se bem».

«Sei que o plano de resgate foi fortemente criticado, mas os resultados agora estão aí, ainda não estão aí tão rapidamente no que às pessoas diz respeito, mas vão chegar. O desemprego está a diminuir, as trocas comerciais com o estrangeiro estão a melhorar, as exportações estão a melhorar, todos os indicadores apontam para uma melhor situação», defendeu.

Questionado sobre qual a pasta que pensa atribuir ao futuro comissário português, Juncker respondeu que ainda não está nessa fase de distribuição de pelouros.

«Primeiro, gostaria de ser eleito presidente da Comissão Europeia, e depois vem a segunda parte», declarou.

Interrogado sobre a mudança produzida pela sua eventual eleição, o candidato do PPE afirmou que a sua «preocupação principal é o crescimento e emprego», combatendo o défice e dívida e promovendo «novas ideias», transformando-as em empregos.

Juncker deu como exemplo dessas novas ideias o mercado único digital, que, disse, «pode criar três milhões de empregos».

O candidato do PPE manifestou-se «realmente impressionado» com a fábrica Milaneza/Cerealis, afirmando que representa a «parte vencedora» do país, investindo e criando emprego durante a crise, naquela e noutras unidades industriais.

Juncker declarou que Portugal está muito próximo do seu «coração», já que «muitos portugueses moram no Luxemburgo», representando cerca de 20% da população.

O candidato do PPE garantiu, ainda, que quando assumiu a presidência do Eurogrupo defendeu Portugal.

«Estou muito feliz por estar aqui», acrescentou.