Centenas de manifestantes receberam esta quarta-feira em Braga o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, exigindo a atualização do salário mínimo nacional e o fim das «políticas de direita» e contestando os «cortes» na atribuição do subsídio de educação especial.

Com bandeiras da CGTP e cartazes exigindo «salário mínimo em 515 euros já», os manifestantes aguardavam Passos Coelho frente ao edifício GNRation, onde foi inaugurar a nova agência para captação de investimento Startup Braga, depois de, ao início da manhã, ter feito uma visita à empresa Torrestir, na mesma cidade.

Entre os manifestantes, o maior grupo, com cerca de uma centena de elementos, era de pais de crianças com deficiência, que protestavam contra o protocolo de colaboração assinado em outubro passado entre o conselho diretivo da Segurança Social e a Direção Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE) e que, garantem, «exclui milhares de crianças com necessidades de apoios especializados».

Depois de, ao início da manhã, se ter concentrado frente à Segurança Social, em Braga, este grupo de pais deslocou-se ao Campo da Vinha, na mesma cidade, ¿para receber o primeiro-ministro¿ e denunciar o que garantem ser «cortes ilegais» na atribuição do subsídio de educação especial.

Organizado pela Associação de Pais e Amigos das Crianças e Jovens com Necessidades de Apoio Especializado (APACJNAE), o protesto insere-se na ¿agenda diária de manifestação e luta¿ que, desde segunda-feira, tem vindo a promover e que tem já iniciativas diárias previstas ¿até ao dia 25 em todo o país¿, segundo adiantou à agência Lusa o presidente da Associação Nacional de Empresas de Apoio Especializado (ANEAE), Bruno Carvalho.

«Há crianças que há oito meses que estão pura e simplesmente abandonadas, porque não conseguem ter acesso a estes apoios e terapias¿, sustentou Bruno Carvalho, assegurando que, ¿a cada dia que passa, os pais estão mais fortes nesta luta».

Segundo recordou, a 06 de dezembro do ano passado - «portanto já há mais de 150 dias» - foram pedidas audiências às secretarias de Estado da Segurança Social e do Ensino que, «até hoje, pura e simplesmente não se dignaram a agendar audiência nenhuma».

«Os pais entendem que já não vale mais a pena acreditar nessa forma de luta e, a partir de agora, os senhores do Governo, se quiserem, vão ter que nos chamar. Os pais decidiram que a luta vai continuar na rua, como já tem estado há muito tempo, mas agora de forma mais intensa, porque pode ser que, pelo menos assim, se consiga alguma sensibilização de quem decide», sustentou.

Depois de, na segunda e na terça-feira, terem estado no Porto e hoje em Braga, os pais prometem concentrar-se, na quinta-feira de manhã, em frente à Segurança Social de Aveiro.

«O senhor primeiro-ministro está diariamente a receber mails dos pais a apresentar as suas queixas e preocupações e sabe o erro que estão a cometer, não quer é reconhecer», afirma Bruno Carvalho, sustentando que «basta ver os números do primeiro-ministro, do ministro e do secretário de Estado [relativamente às crianças e jovens beneficiárias do subsídio de educação especial] para perceber que não sabem do que estão a falar, porque cada um tem um número diferente».

Segundo garante o presidente da ANEAE, os dados «oficiais» são os da Segurança Social e demonstram que são cerca de 13 mil as crianças que já estão ou vão ficar sem os apoios, tendo o número de crianças apoiadas vindo a diminuir de ano para ano.

«Foram feitos cerca de 13 mil requerimentos no país e estão a ser devolvidos pela DGEstE 95% dos processos», ignorando os [pareceres dos] médicos e considerando que as crianças não precisam de apoio nenhum», cita a Lusa.