Pedro Passos Coelho defendeu, esta quarta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, considerando que nada fez de grave e que, por isso mesmo, nunca aceitaria a sua demissão.

«Mesmo que o ministro, por qualquer razão, tivesse sentido necessidade de sair do Governo - que não foi o caso, mas que poderia até acontecer -, nunca aceitaria numa circunstância destas oficializar um problema na relação bilateral com um país tão importante para os portugueses e para Portugal como é Angola aceitando a demissão do ministro», afirmou o primeiro-ministro em entrevista à RTP, nesta quarta-feira.

«Portanto, isso está fora de causa, nem há, na circunstância que motivou a crítica que lhe foi dirigida, nada de grave que me levasse a considerar uma circunstância dessas», acrescentou Passos.

Segundo o chefe do Governo, nem aquilo que Rui Machete disse à Rádio Nacional de Angola sobre processos judiciais que envolvem angolanos nem a omissão das ações que deteve na Sociedade Lusa de Negócios (SLN) constituem um comportamento «grave» da parte do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros.

«Nenhum de nós está livre de ter uma explicação menos feliz. Não podem ser matérias graves. Ora, não há nada de grave que no comportamento do doutor Rui Machete ponha em causa nem a credibilidade do Governo nem, muito menos, do Estado português», argumentou.

No caso das declarações sobre processos judiciais que envolvem angolanos, Passos advogou que «aquilo que ele fez como ministro dos Negócios Estrangeiros foi procurar apaziguar alguma relação» com um país «muito importante» em termos de relações bilaterais e «um país irmão de Portugal, que é Angola».