O secretário-geral do PS, António José Seguro, pediu ao primeiro-ministro para parar de «atacar os pensionistas», acusando Passos Coelho de tomar decisões diferentes das que prometeu em campanha eleitoral.

«Pare de atacar os pensionistas e reformados, pare de tirar rendimento aos portugueses», pediu António José Seguro, que falava aos jornalistas na sede do PS, em Lisboa, depois de ter recebido os grupos corais do Casal do Rato e do Centro de Dia Cantinho do Idoso (ambos da Pontinha, Odivelas) que lhe cantaram as Janeiras.

Antes, o primeiro-ministro havia dito que «soa a falso» o PS desejar que Portugal cumpra o programa de ajustamento como a Irlanda, e, ao mesmo tempo, reclamar o incumprimento das metas do défice.

Passos Coelho, que falava à margem de doutoramentos honoris causa da Universidade de Aveiro, referia-se ao pedido de fiscalização sucessiva do PS ao Tribunal Constitucional sobre o Orçamento do Estado, hoje concretizado.

«Era importante que o PS, que discorda das medidas que estão contidas no Orçamento do Estado em vigor, dissesse quais as medidas alternativas que defende. Quando esse exercício não é feito, soa a falso dizer que se tem a expectativa de que Portugal possa fechar o programa com sucesso, e de preferência como a Irlanda como diz o PS», disse.

Para António José Seguro, «o que soa a falso são os cortes que o primeiro-ministro faz aos reformados e pensionistas» porque Passos Coelho, lembrou o socialista, «prometeu uma coisa completamente diferente durante a campanha eleitoral».

Antes, dirigindo-se às dezenas de pessoas de ambos os grupos que vieram à sede do PS cantar as Janeiras, Seguro criticou também o Governo pelo alargamento da incidência da Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES), hoje aprovado em Conselho de Ministros.

«Precisamos de um caminho diferente para que os jovens tenham horizonte e os menos jovens esperança (...). Mas todos sabemos que infelizmente não é assim. Ainda hoje o Governo anunciou mais um corte. Onde? Nos pensionistas e nos reformados, aqueles que ganham mil euros. À incerteza de um novo ano soma-se mais esta certeza de menos rendimento», afirmou.