O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou que o manifesto subscrito por 70 personalidades é «tardio», mas vem confirmar a necessidade «urgente» da renegociação da dívida e a rutura com o atual rumo político.

No comício comemorativo do 93.º aniversário do partido, o líder comunista salientou que o manifesto conclui a necessidade «imediata» do país renegociar a sua dívida pública, reconhecendo a natureza insustentável da dívida e as consequências devastadoras que lhe estão associadas.

«Uma renegociação que, para o PCP, deve ser assumida por iniciativa do Estado português, na plenitude do direito soberano da salvaguarda dos interesses do país e do povo, assente num serviço de dívida compatível com o crescimento económico e a promoção do emprego, tendo como objetivo a sustentabilidade da divida no medio e longo prazo», referiu.

Jerónimo de Sousa aludia ao manifesto pela reestruturação da dívida subscrito por 74 personalidades, quer de esquerda, quer de direita.

O documento, divulgado na terça-feira, considera que a dívida pública de Portugal é insustentável e que não permite ao país crescer, defendendo uma reestruturação que deve ocorrer no quadro europeu.

Na quarta-feira, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, disse que o assunto «está totalmente fora de questão» e acusou os subscritores de serem «os mesmos que falavam na espiral recessiva».

O líder comunista realçou que as manifestações até agora conhecidas do Governo sobre o manifesto, pela voz do primeiro-ministro, e do PS, secundadas pelo Presidente da República, põem a nu, não apenas o seu profundo compromisso e identidade política com a troika e o «pacto de agressão» que em conjunto subscreveram, mas a intenção de levar ainda mais longe, para lá dos limites do abuso, o «sugar» dos salários e das reformas.

«Pedro Passos Coelho e o Presidente da República vieram muito preocupados porque os mercados, esse bezerro de ouro que eles estão permanentemente a adorar, se podiam assustar, então ele não tem medo que o povo português, os desempregados, os que foram conduzidos à ruína, os que estão hoje estão na pobreza, não está preocupado com esse susto e esse drama de milhões de portugueses», frisou.

Por esse motivo, o comunista defendeu a renegociação da dívida, de toda a dívida, nos seus montantes, juros e prazos de pagamento, para relançar a economia e promover o emprego.

O líder do PCP pediu ainda a demissão do Governo e exigiu eleições antecipadas para travar o «processo de espoliação» do povo e de «afundamento» do país.

Os últimos três anos são o período «mais negro» da vida democrática porque são anos de destruição do tecido produtivo, aumento sistemático da exploração do trabalho, ataque «ininterrupto» aos salários, reformas e pensões e violação dos direitos constitucionais, opinou o comunista.