A eurodeputada socialista Ana Gomes disse esta quinta-feira, em Estrasburgo, que «iniciativas intimidatórias» como a queixa por difamação do ministro da Defesa português, que originou um pedido de levantamento da sua imunidade parlamentar, não a farão recuar.

Comentando o anúncio pelo presidente do Parlamento Europeu de que recebeu do Ministério Público português um pedido de levantamento da imunidade parlamentar da deputada, que remeteu para a comissão de assuntos jurídicos, Ana Gomes afirmou que respeitará a decisão da assembleia, mas garantiu que não desistirá de expor aquilo que considera serem as «responsabilidade políticas e eventualmente criminais» no processo de subconcessão dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo.

A eurodeputada garantiu ainda que «não há, obviamente, nada de pessoal contra o ministro da Defesa» português, José Pedro Aguiar-Branco, que nem conhece «pessoalmente», e sublinhou que o que está em causa é uma «questão política», mantendo tudo o que afirmou em novembro passado e que motivou o ministro a interpor uma queixa no Departamento de Investigação e Ação Penal.

«Recordo que tomei a iniciativa de entregar à senhora Procuradora-Geral da República uma queixa sobre as suspeitas de corrupção e fraude contra o Estado de que todo esse processo estava eivado e que contestei a linha do Governo, que, aliás, vem plasmada agora neste projeto de relatório que está na Assembleia da República, na comissão de inquérito sobre os ENVC, que diz que o Governo não tinha alternativa face à posição da Comissão Europeia», apontou.

Ana Gomes garantiu que não recuará perante a decisão que for tomada pela Comissão de Assuntos Jurídicos do Parlamento Europeu.

«Não vou desistir, por todos os meios, na justiça e na opinião pública, de expor aquilo que acho que são responsabilidade politicas e eventualmente outras, criminais, num processo que, sem dúvida,é altamente lesivo dos interesses Estado português, de um setor estratégico para Portugal e para a Europa, que é o setor da construção naval, e, naturalmente, dos trabalhadores e de toda a população de Viana de Castelo, que viu estes estaleiros serem desmantelados de uma forma totalmente opaca e suspeita de corrupção», declarou.

Questionada sobre se mantém as declarações proferidas em novembro de 2013, respondeu que sim, «absolutamente.»

«Não só mantenho, como prossigo a investigação (...). Não abdicarei de fazer aquilo que corresponde às minhas responsabilidades como deputada e como cidadã portuguesa», vincou.